📲 Siga o A10+ no Instagram, Facebook e Twitter.
A Justiça Eleitoral do Piauí, além da vereadora Tatiana Medeiros e o namorado faccionado, Alandilson Passos, condenou também outras seis pessoas envolvidas em crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
O processo revela que foram reunidas provas consistentes que evidenciam a existência de uma estrutura organizada, com divisão clara e funcional de tarefas para a realização dos crimes.

Reprodução
Foi possível identificar a segmentação das atividades em três frentes: núcleo de comando, núcleo financeiro e núcleo vinculado ao Instituto Vamos Juntos, dos quais participam Tatiana, Alandilson, Stênio, Maria Odélia, Emanuelly, Bianca, Bruna e Sávio.
O A10+ obteve acesso a decisão e lista a atuação de cada uma das pessoas condenadas no esquema criminoso.
Confira:
MARIA ODÉLIA DE AGUIAR MEDEIROS (mãe da vereadora)
Maria Odélia foi condenada a 14 (quatorze) anos, 02 (dois) meses e 05 (cinco) dias de reclusão e 58 (cinquenta e oito) dias-multa.
Segundo a decisão, ela exercia a função de articuladora da base de apoio político e era responsável pela coordenação do Instituto Vamos Juntos – ONG utilizada como instrumento para o recrutamento de eleitores e monitoramento da captação e fidelização de votos em favor da candidatura de Tatiana Medeiros.

Divulgação
A prova produzida nos autos revela que ela ocupou posição relevante no núcleo de base/ONG e na interface com o núcleo financeiro da organização, desempenhando funções que extrapolam, em muito, a ideia de mera “mãe colaboradora”.
Atuou como pessoa interposta na ocultação e dissimulação de bens e na lavagem de capitais, apresentando padrão de vida incompatível com os rendimentos formalmente declarados, aliada também a sua atuação no INSTITUTO VAMOS JUNTOS e na organização criminosa eleitoral.
STÊNIO FERREIRA SANTOS (Padrasto)
Stenio Ferreira foi condenado a 13 (treze) anos, 11 (onze) meses e 26 (vinte e seis) dias de reclusão por organização criminosa, Corrupção Eleitoral, Violação de Sigilo de Voto e Lavagem de Dinheiro.
O acervo probatório comprova que ele ocupava posição relevante no núcleo financeiro‑operacional do grupo, funcionando como verdadeiro operador financeiro das atividades ilícitas ligadas à campanha de Tatiana e ao esquema de empréstimos e pagamentos identificado pela investigação.
As quebras de sigilo bancário e fiscal, os relatórios de inteligência financeira e os laudos telemáticos mostram que contas de titularidade de STÊNIO receberam, de forma reiterada, valores provenientes de pessoas diretamente vinculadas a Alandilson e ao Instituto Vamos Juntos, bem como créditos em espécie incompatíveis com a renda formal declarada.

Divulgação
Conforme a decisão, em diversas conversas, ele aparece como interlocutor direto de eleitores, negociando votos em favor de Tatiana mediante promessa e efetivo pagamento de valores em dinheiro, usualmente R$ 100,00 (cem reais), e condicionando o recebimento ao envio de fotos da tela da urna ou de comprovante de votação.
Na ação, sob a ótica da estrutura, Stênio se insere de forma nítida como elo entre o núcleo financiador (Alandilson) e a base operacional (ONG, campanha e eleitores), assumindo a tarefa de receber, sacar, guardar e redistribuir valores, além de operacionalizar, pessoalmente, a compra de votos e o fluxo de empréstimos a juros alto.
BIANCA DOS SANTOS TEIXEIRA MEDEIROS (Irmã da vereadora)
Bianca Medeiros foi condenada a 07 (sete) anos, 09 (nove) meses e 26 (vinte e seis) dias de reclusão e 70 (setenta) dias-multa por Organização Criminosa e Corrupção Eleitoral.
Segundo a sentença, ela desempenhava o papel de intermediadora de pagamentos, colaborando diretamente com a operacionalização financeira das atividades ilícitas vinculadas à organização criminosa. Sua atuação, desempenhando papel relevante, ainda que não de liderança, estava direcionada à logística financeira e assistencial da organização.
O marido dela, identificado como Lucas de Carvalho Dias Sena, também era réu na ação, mas foi absolvido pela falta de elementos de prova.
EMANUELLY PINHO DE MELO (Assessora)
Emanuelly Melo foi condenada por Organização Criminosa e Corrupção Eleitoral foi condenada a 07 anos e 09 (nove) meses e 26 (vinte e seis) dias de reclusão e 202 (duzentos e dois) dias-multa.
De acordo com a sentença, ela exercia funções de assessoria com atribuições múltiplas, atuando tanto no âmbito do Instituto Vamos Juntos – onde era responsável pelo cadastramento de famílias e pela intermediação de pagamentos em troca de votos – quanto na campanha eleitoral de Tatiana Medeiros, auxiliando na organização da agenda, visitas a lideranças políticas e controle de votos.

PF
BRUNA RAQUEL LIMA SOUSA (funcionária da ONG Instituto Vamos Juntos)
Bruna Raquela foi condenada a 06 (seis) anos, 11 (onze) meses e 30 (trinta) dias de reclusão e 22 (vinte e dois) dias-multa por Organização Criminosa e Corrupção Eleitoral.
Segundo a sentença, ela era responsável pelo cadastro e controle administrativo das famílias supostamente beneficiárias da instituição, bem como pelo controle de votos em favor da vereadora.
Bruna seria uma das pessoas do Instituto, para as quais Tatiana atribui a função interna de “controle administrativo das famílias e lideranças”. "À luz do restante do acervo probatório, esse “controle” não se limita a cadastro de assistência social, mas envolve a organização de listas de eleitores e lideranças por bairro, zona e seção, com anotação de quem recebe benefícios e quem está vinculado à candidatura, atividade totalmente diversa daquela para a qual a ONG foi formalmente criada", diz.
SÁVIO DE CARVALHO FRANÇA (funcionário da ONG Instituto Vamos Juntos)
Sávio de Carvalho foi condenado a 09 anos 05 (cinco) meses e 27 (vinte e sete) dias de reclusão e 30 (trinta) dias-multa por crime de Corrupção Eleitoral e Organização Criminosa.
De acordo com a decisão, o acervo probatório comprova que Sávio exerceu função relevante no núcleo de base/ONG, ligado diretamente ao Instituto Vamos Juntos, cumprindo funções de mapeamento e controle da base eleitoral de Tatiana que extrapolam a mera atuação burocrática ou assistencial, voltadas para um fato isolado.
"Na ata de assembleia que reestruturou a diretoria do Instituto em março de 2024, Tatiana distribui atribuições internas, confiando a Sávio também a responsabilidade pelo “controle administrativo das famílias e lideranças”. A partir dessas funções atribuídas a ambos (Sávio e Bruna) , verifica-se a finalidade política de ambos dentro da ONG, misturando atividade assistencial e atividade eleitoral, pois o termo liderança, no contexto desse grupo, é usado para identificar pessoas que estão angariando votos para a candidata. Na prática, essa função consistia não apenas em registrar pessoas para recebimento de cestas básicas ou benefícios, mas em organizar cadastros de eleitores por bairro, zona e seção, identificar lideranças locais e quantificar o potencial de votos de cada grupo", destaca.
Tatiana Medeiros é condenada a mais de 19 anos de cadeia em Teresina
A Justiça Eleitoral condenou Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. A decisão, obtida pelo A10+, foi proferida nesta segunda-feira (27). Medeiros também perdeu o mandato como vereadora.

Reprodução
A sentença também determina a perda do cargo, a inelegibilidade para funções públicas e o pagamento solidário de R$ 1 milhão como reparação pelos prejuízos causados à sociedade. A defesa de Medeiros afirmou que a sentença é "absolutamente injusta" e que vai recorrer. Além de Tatiana, outras sete pessoas também foram condenadas, entre elas, o namorado faccionado.
Abaixo, confira como foi distribuída a sentença dos crimes cometidos por Tatiana Medeiros:
- Organização criminosa: 07 (sete) anos e 06 (seis)meses e 21 (vinte e um) dias de reclusão e 25 (vinte e cinco) dias-multa;
- Corrupção eleitoral: 2 (dois) anos e 07(sete) meses e21 (vinte e um) dias de reclusão e 300 (trezentos) dias-multa;
- Peculato-desvio: 03 (três) anos e 10(dez) meses e 20 (vinte)dias de reclusão e 144 (vinte) dias-multa;
- Falsidade ideológica: 01 (um) ano de reclusão e 05(cinco) dias-multa;
- Lavagem de dinheiro: 04 (quatro) anos e 09 (nove)meses e 05 (cinco) dias de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Medeiros vai cumprir a pena em regime fechado na Penitenciária Feminina Gardênia Gomes Lima Amorim, em Teresina.
Alandilson Passos, namorado de Tatiana Medeiros, é condenado a 17 anos de prisão
O namorado de Tatiana Medeiros, Alandilson Cardoso Passos, foi sentenciado a 17 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão, além de 7 anos, 2 meses e 23 dias de cadeia. A condenação, segundo decisão obtida pelo A10+, se deu pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, usura e lavagem de dinheiro, relacionados ao esquema apurado durante as eleições municipais de 2024. Foi negado o direito do faccionado recorrer em liberdade.

Reprodução
No que diz respeito a Alandilson Passos, os diálogos resgatados indicam que Tatiana reconhece ter recebido dele aporte financeiro relevante em sua campanha, chegando a afirmar, em conversa de 27 de outubro de 2024, que venderia seu veículo para “acertar” a dívida com ele. Do lado de Alandilson, em mensagens a terceiro afirma que “estamos com um mandato lá”e que, com a eleição da vereadora, “vamos fazer muitos negócios agora […] lá na Câmara a vereadora pra lhe ajudar também”, revelando uso do "mandato de Tatiana para fins ilícitos, diante das circunstâncias e modus operandi do grupo e de seus membros, corroborado pelos demais indícios veementes nos autos", diz trecho da decisão.
De forma paralela, a prova técnica indica que, mesmo após a deflagração da operação e já sob custódia, Tatiana continuou utilizando o celular para realizar transações financeiras e manter comunicações. Entre essas interações, há registros de videochamadas com Alandilson, realizadas a partir de unidades prisionais distintas, além de contatos com Maria Odélia, Bianca e outras pessoas, seguidos do apagamento intencional de conteúdos. Tal conduta posterior reforça a presença de um vínculo associativo contínuo e evidencia a intenção de manter a estrutura criminosa, em vez de se desvincular dela.
Entenda o caso
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa no dia 03 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. O A10+ apurou que a prisão envolve compra de votos nas eleições de 2024. A parlamentar estava no centro de uma polêmica após a prisão do então namorado membro de uma facção criminosa.

Dois meses após ser presa, teve prisão domiciliar concedida pela Justiça, após uma série de problemas de saúde. Com isso, ela deixou a cela em que estava no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em Teresina.
A parlamentar, envolvida com facção criminosa, enfrentou uma série de problemas de saúde, chegou a ser internada em hospital, alegou ansiedade e foi encontrada até com tablet e celular dentro da cela.
De fundadora de ONG à prisão pela PF: saiba quem é Tatiana Medeiros, vereadora envolvida com facção criminosa em Teresina
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em 3 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. Ela é advogada e levantou, durante sua campanha, a importância da Educação, Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades. Candidata pelo PSB, ela obteve 2.925 votos na capital piauiense.
Investigada pela Polícia Federal por vínculo com facção criminosa violenta com grande atuação no estado, há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos da instituição não governamental.
Segundo o procurador da Câmara, Pedro Ricardo Couto, uma servidora do gabinete da vereadora Tatiana Medeiros também está sendo investigada. Trata-se de Emanuele de Melo, que, no entanto, já estava afastada da Câmara desde janeiro.
Ao comentar a possibilidade de cassação do mandato da vereadora, o procurador adotou uma postura cautelosa, ressaltando que é necessário aguardar uma decisão transitada em julgado. “É preciso seguir o devido processo legal, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Não podemos falar sobre cassação neste momento”, afirmou Couto.
Fonte: Portal A10+