O delegado Tales Gomes deu mais detalhes à TV Antena 10 sobre a prisão de Lucila Meireles Costa, de 42 anos, investigada por se passar por advogada e corromper servidores da Justiça do Amazonas. Ela foi presa nesta sexta-feira (20), em Teresina. Segundo o delegado, a mulher deixou o Amazonas há cerca de um ano após passar a receber ameaças e decidiu se esconder na capital piauiense. Natural de Manaus, Lucila teria se mudado para Teresina alegando problemas com pessoas na região onde morava.
De acordo com a Polícia Civil do Piauí (PCPI), a prisão é resultado de um desdobramento de investigações iniciadas no ano passado, após uma grande apreensão de drogas e armas no Amazonas. A operação avançou na identificação de integrantes da organização criminosa e alcançou a investigada presa nesta sexta-feira.
O delegado destacou que o caso envolve crimes graves, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.
"Ano passado, a Polícia Civil do Amazonas fez a apreensão de mais de 500 tabletes de drogas e vários fuzis. As investigações avançaram, identificaram o líder dessa organização criminosa que atua no Amazonas, e um dos alvos da investigação foi essa senhora que prendemos hoje. A investigação apura lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico, corrupção passiva e ativa. No caso da investigada, o que mais pesa sobre ela é se passar por advogada e conseguir informações junto a funcionários do Tribunal de Justiça do Amazonas", disse o delegado Tales Gomes à TV Antena 10.
Ainda conforme o delegado, a operação teve como foco não apenas a investigada presa em Teresina, mas também empresas e pessoas que, segundo a polícia, auxiliavam na movimentação financeira do grupo criminoso.
"Várias empresas foram alvos de diligências hoje. As pessoas que auxiliam a organização criminosa a fazer a lavagem de dinheiro, transferência e aplicação também foram alvos dessa operação. Minas Gerais, Pará, Ceará, Amazonas e Piauí foram estados onde a operação foi deflagrada", relatou o delegado.
O delegado também ressaltou que o principal ponto que pesa contra Lucila é a suposta atuação direta junto a servidores do Judiciário para obtenção de informações sigilosas.
"O que mais pesa contra ela é a questão de fazer esse intermédio com funcionários do fórum e obter informações de processos sigilosos. O principal alvo da operação é um homem chamado Alan, que mora no Amazonas. Esse homem é investigado, e o que consta é que estariam sendo feitos pagamentos para funcionários do Poder Judiciário para facilitar o acesso, e essa mulher seria uma dessas pessoas", explicou Tales Gomes.
As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.