A Polícia Civil do Piauí (PCPI) divulgou novos detalhes sobre a prisão de dois homens no Rio Grande do Sul suspeitos de aplicarem o chamado “golpe do falso delegado”, que teve como consequência a morte de uma vítima no Piauí. O caso foi investigado após familiares perceberem indícios de fraude apenas depois do ocorrido.
De acordo com o delegado Walter Cunha, a família não tinha conhecimento prévio de qualquer problema envolvendo a vítima. A situação veio à tona após a análise de dispositivos e documentos deixados por ela, o que revelou transferências bancárias e um possível cenário de extorsão.
"A família nunca tinha percebido nenhum problema psicológico ou psiquiátrico e foram verificar as redes sociais dele, email, após ele esse senhor tirar a própria vida. Verificaram que ele tinha feito um empréstimo, uma transferência e que deixou um bilhete. Ele informou que um delegado estava extorquindo ele. Na verdade era um falso delegado, que se passava como delegado de São Paulo. É muito comum hoje em dia, eles fazem até montagens, botam o rosto de pessoas no corpo de outras", disse o delegado Walter Cunha à TV Antena 10.
As investigações apontaram que o crime se enquadra como extorsão com resultado morte, o que agrava a pena. A Polícia Civil conseguiu identificar os envolvidos a partir do rastreamento das transações financeiras e das comunicações realizadas com a vítima.
"O crime de extorsão já prevê a hipótese morte. O crime fica majorado, se agrava, quando acontece a morte. Eles foram indiciados; a polícia chegou até a pessoa que recebeu o dinheiro, a pessoa que fez a ligação. Esses dois autores foram presos no Rio Grande do Sul. Um foi preso semana passada e o outro foi preso hoje. Eles vão ficar presos e responder por esse crime", explicou o delegado.
Entenda o caso
Segundo a investigação, dois homens, de 31 e 42 anos, se passaram por um delegado da Polícia Civil do Estado de São Paulo e entraram em contato com a vítima, alegando que ela estaria sendo investigada.
Os suspeitos teriam induzido a vítima a contrair um empréstimo bancário para realizar transferências. Sob ameaça de responsabilização criminal, exigiram o pagamento de uma suposta “fiança” no valor de R$ 8 mil para o arquivamento do processo. A vítima, um senhor, tirou a própria vida logo depois.