Polícia Civil conclui inquérito sobre abuso dentro da Delegacia-Geral em Teresina e indicia acusado por estupro e stalking

Vítima de 64 anos segue em recuperação; até o momento, a tentativa de feminicídio foi descartada pela polícia

A Polícia Civil do Piauí (PCPI) concluiu, nesta sexta-feira (27), o inquérito que apura o caso da servidora pública de 64 anos encontrada desacordada após sofrer abuso sexual dentro da Delegacia-Geral, em Teresina. O crime ocorreu na última quinta-feira (19). O investigado, Joelmir Fagner Barros Ferraz, de 34 anos, foi indiciado pelos crimes de estupro qualificado e stalking. Durante a apuração, a polícia descartou, neste momento, a tipificação de tentativa de feminicídio, embora a possibilidade não esteja totalmente afastada, caso surjam novos elementos.


Ao detalhar o comportamento do suspeito e as conclusões da investigação, a delegada Nathália Figueiredo destacou indícios de perseguição recorrente contra a vítima.

  

Polícia Civil conclui inquérito sobre abuso dentro da Delegacia Geral em Teresina e indicia suspeito por estupro e stalking
Reprodução

   

“Havia quase que uma obsessão por parte dele. Ele encaminhava diversas mensagens para a vítima, motivo pelo qual houve também o indiciamento pelo crime de stalking. A gente chegou à conclusão desses crimes e não à tentativa de feminicídio. Inicialmente está descartado, pode ser que surjam novas situações e haja a inclusão [da tentativa de feminicídio], mas, para esse momento, a gente vai manter o indiciamento por estupro qualificado e stalking”, disse a delegada Nathalia Figueiredo.

As investigações também apontaram que o suspeito já conhecia a vítima há mais tempo do que inicialmente se imaginava. Segundo a Polícia Civil, ambos chegaram a trabalhar no mesmo prédio anteriormente.

“Esse indivíduo já trabalhava no prédio da zona norte há um tempo, depois que saiu do IML. E lá a vítima também passou a trabalhar durante minha gestão. Então ele não a conhecia só há três meses, conhecia há mais tempo”, explicou o delegado-geral Luccy Keiko.

De acordo com relatos da família, a vítima já vinha sofrendo importunações, mas evitava formalizar denúncia. O delegado a importância de comunicar qualquer tipo de violência ou assédio.

  

Vítima de 64 anos segue em recuperação; até o momento, a tentativa de feminicídio foi descartada pela polícia
TV Antena 10

   

“A família nos narrou que ela chegava e dizia que estava sendo importunada por ele, mas evitava fazer alguma denúncia. Por isso, a gente estimula as mulheres a denunciar qualquer ato abusivo, de violência física ou psicológica”, disse o delegado Luccy Keiko.

A apuração também trouxe informações sobre o histórico funcional do investigado, que atuava como terceirizado em órgãos públicos desde 2018.

“Ele foi contratado em 2018 por uma empresa terceirizada que fornece mão de obra para algumas secretarias e, naquela época, ele foi direcionado como mão de obra para o IML. Depois, ele migrou para o setor de pessoal que funcionava na zona norte e, há três meses, ele veio para essa sede porque o setor migrou para cá. E o antecedente que verificamos dele é aquele de homicídio, provavelmente no contexto de linchamento”, falou o delegado.

O delegado também ressaltou a intensidade do trabalho investigativo e o estado de saúde da vítima, que já deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas ainda inspira cuidados.

“Foram dias intensos de investigações, com muitas oitivas, com requisições de exames periciais extremamente necessários, extração de dados de celulares, tudo para que fizéssemos os procedimentos sem falhas. Na quarta-feira, a família falou comigo, a vítima falou meu nome, que era minha amiga. Fui lá, a vi, estive com ela, saí muito emocionado. Hoje a visitei novamente, ela saiu da UTI, mas ainda demanda muitos cuidados. Vamos estar sempre nessa assistência com ela”, finalizou.