O Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEP) deu novos detalhes sobre a prisão do suspeito de perseguir uma mulher desde o ano de 2017, em Teresina. Segundo a Polícia Militar, o investigado praticava ameaças constantes, enviava mensagens ofensivas e até fotos íntimas para a vítima.
Em entrevista à TV Antena 10 e ao A10+, o comandante do BEP, coronel Alves, relatou que a mulher registrou mais de 20 boletins de ocorrência contra o suspeito ao longo dos últimos anos. Mesmo após ter sido preso anteriormente, em 2025, ele teria continuado a perseguir a vítima.
A polícia informou ainda que o homem passou a ameaçá-la de morte recentemente, o que levou a Justiça do Piauí a expedir um mandado de prisão na última segunda-feira.
Após diligências realizadas em conjunto com o setor de inteligência da corporação, o suspeito foi localizado em uma quitinete na região do bairro Lourival Parente, zona Sul de Teresina, menos de 24 horas após a expedição do mandado.
Segundo o coronel Alves, a prisão ocorreu sem resistência. Durante a abordagem, o homem teria confessado que continuava praticando perseguições contra a vítima, incluindo ligações e mensagens enviadas para números pessoais, profissionais e até contatos de familiares da mulher.
Ainda conforme a PM, o suspeito e a vítima trabalharam juntos em uma empresa em 2017, mas, segundo relato da mulher à polícia, eles nunca tiveram relacionamento amoroso.
O comandante destacou que a prática se enquadra no crime de stalking, caracterizado por perseguição reiterada que ameaça a integridade física, psicológica e a liberdade da vítima.
O homem foi encaminhado para a Central de Flagrantes e permanece à disposição da Justiça.
"Que eu consiga ter paz", desabafa vítima após prisão de homem suspeito de perseguição e ameaças há 10 anos em Teresina
"Que ele fique preso e que eu consiga ter paz". A declaração é da mulher vítima de perseguição e ameaçar por parte de um homem há dez anos, em Teresina. O indivíduo identificado como J. da S. N., de 42 anos, foi detido, na manhã desta quarta-feira (20), na zona Sul da capital.
Em entrevista à TV Antena 10 e ao A10+, a mulher, que preferiu não se identificar, afirmou que apesar do alívio, ela teme pela soltura do indivíduo durante audiência de custódia. Ela destacou que, até mesmo com tornozeleira eletrônica, o suspeito seria capaz de retornar com os crimes. São mais de vinte Boletins de Ocorrência relatando toda a situação sofrida por ela ao longo desse anos.
"Eu só peço por justiça. Hoje, com a prisão dele, eu me sinto muito feliz. É um alívio muito grande e eu só quero minha paz, minha tranquilidade, viver minha vida normal, voltar à minha rotina normal. Estou preocupada porque vai ter essa audiência de custódia e eu tenho medo dele pegar uma tornozeleira e ficar solto. Mas eu acredito na justiça. Com fé em Deus e Nossa Senhora, ele vai passar um bom tempo preso", afirmou.
A mulher disse que diante de tantas ocasiões em que foi intimidade pelo criminoso, ela apresentou um quadro psicológico que requer acompanhamento médico, inclusive com uso de remédios.
Entenda o caso
Uma mulher, que preferiu não se identificar, denunciou à TV Antena 10 e ao A10+ viver há quase dez anos sob ameaças e perseguições constantes em Teresina. Segundo a vítima, o suspeito seria um ex-colega de trabalho identificado como Josivan, que desde 2016 passou a intimidá-la dentro e fora do ambiente profissional. Ela afirma já ter registrado 22 boletins de ocorrência e diversos inquéritos, mas diz se sentir desamparada diante da falta de uma solução definitiva para o caso.
De acordo com o relato, as primeiras ameaças começaram ainda dentro da empresa onde ambos trabalhavam. “Ele começou a chutar cadeira, porta, quando eu passava. Depois falou que queria me matar dentro da empresa”, contou. Após os episódios, o homem foi demitido em 2017, mas, segundo ela, as perseguições se intensificaram.
A vítima afirma que o suspeito passou a seguir os trajetos que ela fazia diariamente entre casa e trabalho. “Ele ficava com pau e faca atrás de mim aqui no Parque Piauí. Como trabalhou comigo, sabe todo o percurso que eu faço”, relatou.
Ainda segundo a mulher, o homem teria descoberto o endereço dela e passado a frequentar as proximidades da residência. Ela afirma que a casa já foi apedrejada diversas vezes e que possui fotos e vídeos das ações. Além disso, denuncia que o suspeito cria perfis falsos nas redes sociais para entrar em contato com familiares dela.