"Não quero virar estatística de feminicídio”, diz jornalista que denunciou ex-namorado PM por agressão em Teresina; VÍDEO!

Em primeira entrevista à TV Antena 10, Jordânia dá detalhes do dia da agressão, diz temer pela soltura do ex e pede justiça; defesa dele rebate

A jornalista Jordânia Carvalho revelou os momentos de terror que viveu após ter sido agredida pelo namorado, o policial militar Gabriel Veras, no apartamento do casal, em Teresina. Em primeira entrevista concedida à TV Antena 10, nesta segunda-feira (18), a vítima disse ter acreditado que seria morta antes da chegada da polícia.  

“Eu tava tentando sobreviver às agressões que eu estava sofrendo, porque naquele momento, se eu não me debatesse, se eu não fizesse nada, eu tenho certeza que ele iria terminar o que começou”, declarou.


Segundo a jornalista, as agressões começaram ainda pela manhã, após o casal acordar. Ela contou que, depois de preparar o café da manhã, voltou para o quarto e foi empurrada da cama pelo policial, que teria apertado o pescoço dela. Jordânia afirmou que, ao tentar entender o motivo da atitude, ouviu do companheiro que ele não queria mais o relacionamento. Quando decidiu pegar os pertences para ir embora, ela relatou que as agressões se intensificaram.

De acordo com o relato da vítima, o policial voltou a apertar o pescoço dela dentro do quarto. Jordânia disse que tentou se desvencilhar empurrando os óculos do companheiro, mas ele teria continuado as agressões, jogando-a contra a cama e o guarda-roupa. Ela contou ainda que conseguiu correr para outro cômodo da residência, mas foi alcançada novamente.

“Ele pegou no meu pescoço e tacou minha cabeça na parede”, afirmou.

A jornalista relatou que conseguiu se trancar no banheiro do apartamento e passou a pedir socorro por mensagens enviadas a familiares e grupos de WhatsApp. Segundo ela, enquanto tentava pedir ajuda, o policial batia na porta e fazia ameaças.

  

Jornalista relata momentos de terror nas mãos de suposto agressor
Reprodução/TV Antena 10
   

“Ele dizia que não ia dar em nada, que se eu fizesse aquilo ele ia atrás de mim. Depois começou a falar que iria atrás da minha filha, que mora com os meus pais”, declarou.

Ainda conforme Jordânia, a situação só terminou após a chegada da Polícia Militar ao local. Ela disse que liberou a entrada dos policiais pela portaria do prédio e que o namorado teria corrido para destrancar a porta do apartamento antes da entrada da equipe. 

O advogado da jornalista afirmou que todas as alegações apresentadas pela defesa do policial serão respondidas dentro do processo judicial. Segundo ele, há laudos periciais, depoimentos e outros elementos que sustentam a denúncia apresentada pela vítima.

“A Jordânia é vítima de agressões físicas, psicológicas e ainda teve a integridade sexual atentada pelo acusado. O laudo dela descreve lesões na boca, no pescoço, nas coxas e nos braços. Tanto é que o Ministério Público do Piauí ofereceu denúncia contra o policial Gabriel Veras”, afirmou.

O defensor também criticou a postura adotada pela defesa do policial nas manifestações públicas sobre o caso. Segundo ele, a estratégia estaria focada em construir uma narrativa perante a opinião pública, em vez de discutir os elementos presentes nos autos do processo.

“Me parece que o Gabriel tem se preocupado muito mais em fazer uma defesa social do que uma defesa processual. Não está ligando para o que realmente consta no processo. A todo momento ele quer criar uma narrativa de que a vítima foi quem praticou os crimes. Isso é muito comum em casos desse tipo”, afirmou o advogado da jornalista.

Gabriel Veras Tomaz Silva foi preso em flagrante, mas acabou sendo solto após audiência de custódia. Ele responde ao processo em liberdade e está afastado das funções operacionais na Polícia Militar.

Ao final da entrevista, Jordânia disse sentir medo diante da liberdade do acusado. “Eu tenho um sentimento de pavor, de medo, ainda mais sabendo que ele está solto. Eu só quero justiça. Eu não quero virar estatística de feminicídio”, afirmou.

Defesa de policial alega que ele sofreu mais de 30 agressões

A defesa do policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva apresentou sua versão sobre o suposto caso de agressão envolvendo o agente e a ex-companheira, uma jornalista que denunciou ter sido vítima de agressões físicas no dia 26 de abril, em Teresina. Em entrevista à TV Antena 10, nesta quarta-feira (13), o advogado José Antônio Cantuária afirmou que Gabriel também teria sofrido lesões corporais durante a confusão. A defesa sustenta que os ferimentos apresentados pela jornalista teriam ocorrido no momento em que ela teria tentado pegar a arma do policial.

  

Defesa de policial militar apresenta outra versão sobre denúncia de agressão em Teresina e afirma que jornalista pode ser processada
Reprodução/TV Antena 10

   

Segundo a denúncia da jornalista, ela acionou o 190, familiares e um grupo de jornalistas para facilitar o socorro. A mulher afirmou que permaneceu trancada no apartamento até a chegada da polícia. Após a ocorrência, o policial e a vítima foram encaminhados para a Casa da Mulher Brasileira. Gabriel foi preso em flagrante e posteriormente solto após audiência de custódia.

“O Gabriel teve lesões em sete partes do corpo. Ele teve escoriações no rosto, nos olhos, na mandíbula, na bochecha, na escápula, nas costas, no braço, no antebraço e nas mãos. Já a jornalista teve lesões em apenas duas regiões: no antebraço e acima do tórax. E, segundo o Gabriel, essas lesões aconteceram exatamente quando ela pegou a arma dele, dizendo que iria atirar nele e tirar a própria vida. Gabriel conseguiu desmuniciar a pistola, derrubou o carregador e, quando ela pegou o carregador no chão, ele tomou a arma, colocou junto ao corpo e, como medida de segurança, ficou pedindo para que ela se distanciasse. Ela alega que sofreu uma agressão na Semana Santa, mas não fez nenhum boletim de ocorrência e não pediu ajuda”, disse o advogado Cantuário Filho.