O laudo da perícia médica do Instituto de Medicina Legal (IML) atestou que a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) apresenta um quadro de transtorno depressivo recorrente, crises de pânico e risco de suicídio.
Dois meses após ser presa, a vereadora teve prisão domiciliar concedida pela Justiça, após uma série de problemas de saúde. Com isso, ela deixou a cela em que estava no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em Teresina.
Com o laudo, os advogados Edson Araújo e Francisco Medeiros, que é tio de Tatiana, vão solicitar em regime de urgência, dentro de 48h, para que seja revogada a medida cautelar por uso de tornozeleira eletrônica. "Está agravando o quadro clínico dela", disse Francisco.
"O laudo oficial apenas confirmou o que vários outros laudos particulares já tinham dito. A situação dela é óbvia, já foi comunicada várias vezes ao juízo e é sempre ignorada. Agora, com o laudo oficial, veremos qual vai ser a decisão", acrescentou Edson.
Entenda o caso
No dia 27 de abril, Tatiana Medeiros foi condenada a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
A sentença também determina a perda do cargo, a inelegibilidade para funções públicas e o pagamento solidário de R$ 1 milhão como reparação pelos prejuízos causados à sociedade.
O namorado de Tatiana Medeiros, Alandilson Cardoso Passos, foi sentenciado a 17 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão, além de 7 anos, 2 meses e 23 dias de cadeia. A condenação, segundo decisão obtida pelo A10+, se deu pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, usura e lavagem de dinheiro, relacionados ao esquema apurado durante as eleições municipais de 2024. Foi negado o direito do faccionado recorrer em liberdade.
O processo revela que foram reunidas provas consistentes que evidenciam a existência de uma estrutura organizada, com divisão clara e funcional de tarefas para a realização dos crimes.
Foi possível identificar a segmentação das atividades em três frentes: núcleo de comando, núcleo financeiro e núcleo vinculado ao Instituto Vamos Juntos, dos quais participam Tatiana, Alandilson, Stênio, Maria Odélia, Emanuelly, Bianca, Bruna e Sávio.
O A10+ obteve acesso a decisão e lista a atuação de cada uma das pessoas condenadas no esquema criminoso. Clique aqui e veja as condenações da mãe, padastro, e irmã da vereadora, além de outros envolvidos.