"Viram ele sorrindo após ter praticado essa crueldade", diz delegada sobre homem que matou ex-mulher queimada em Teresina; VÍDEOS!

Delegada também descreveu o comportamento do homem após o crime e afirmou que as investigações apontam extrema crueldade na ação

A Polícia Civil do Piauí (PCPI) concluiu nesta sexta-feira (15) o inquérito que investigava a morte de Ângela Maria Santos, mulher que morreu após ser atacada e incendiada pelo ex-companheiro, José Antônio, em Teresina. O caso ocorreu no dia 8 de maio deste ano e também deixou feridas a mãe e a irmã da vítima.

Segundo a delegada Nathalia Figueiredo, o acusado foi indiciado por diversos crimes relacionados ao caso, como feminicídio consumado, tentativa de feminicídio, lesão corporal, dano e descumprimento de medida protetiva.

  

"Ele é um sádico, disseram que viram ele sorrindo", diz delegada sobre homem que matou ex-companheira queimada em Teresina; inquérito foi concluído
TV Antena 10

   

“Nós concluímos o inquérito como feminicídio consumado com causa de aumento, tendo como vítima a senhora Ângela; tentativa de feminicídio, tendo como vítima a senhora Maria do Socorro; lesão corporal no contexto de violência doméstica, tendo como vítima a senhora Andreia; teve o crime de dano e a gente teve a materialidade comprovada por meio de laudo; e descumprimento de medida protetiva, tendo em vista que tanto Ângela como Andreia tinham medida protetiva em desfavor do José Antônio”, explicou.

A delegada também relembrou um episódio anterior de violência envolvendo o agressor e a ex-companheira. De acordo com ela, José Antônio já havia invadido a residência onde Ângela estava abrigada meses antes do crime. Após o episódio, ele chegou a ser preso, mas foi liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica.


“Houve um procedimento no dia 7 de janeiro, onde ele também utilizou o mesmo modus operandi. Invadiu a casa onde dona Ângela estava, na casa dos pais, residência onde também morava dona Andreia. Ele foi dando ré no veículo e derrubou o portão, chegou a agredir dona Ângela e ameaçou dona Andreia, que é irmã dela. As duas, na oportunidade, pediram medida protetiva. Ele foi preso em flagrante, saiu em audiência de custódia com a condição de tornozeleira eletrônica. Após três meses, foi retirada a tornozeleira, e o que foi relatado pela irmã é que ele continuava tendo contato com dona Ângela”, disse a delegada.

Nathalia Figueiredo fez um alerta para mulheres vítimas de violência doméstica sobre a importância de denunciar o descumprimento de medidas protetivas. A delegada também descreveu o comportamento do suspeito após o crime e afirmou que as investigações apontam extrema crueldade na ação. Segundo ela, testemunhas relataram que autor do crime saiu do local sorrindo.

  

Ângela Maria
Reprodução

   

“O que eu alerto é que, se há medida protetiva, faça uso desse meio. Se ocorreu descumprimento, informe a autoridade policial. Jamais subestime um agressor. Ele é capaz de qualquer coisa. A gente viu o sadismo com o qual o José Antônio agiu. Inclusive, testemunhas disseram que ele saiu sorrindo, ou seja, com um ar de satisfação após ter praticado essa crueldade. A gente teve informações bem claras de que ele lançou o combustível no rosto da vítima, ou seja, a intenção dele era, de fato, matá-la, e de uma forma extremamente cruel, que é o uso de substância inflamável. O autor é um sádico. A gente via muita frieza no momento em que ele foi interrogado; a gente via muita frieza e, em certos momentos, ele tentava culpabilizar dona Ângela, dizendo que ela o perseguia”, contou Nathalia Figueiredo.


A mãe de Ângela, Maria do Socorro, também ficou ferida durante o ataque e segue internada em estado grave com 50% do seu corpo lesionado pelas chamas. 

“A dona Maria do Socorro teve mais de 50% do corpo atingido pelas chamas. Acredito que ela ainda esteja entubada, até a última informação que a gente teve. Logicamente, é uma situação que preocupa. A gente está aguardando mais informações vindas pela equipe médica. O que foi repassado é que realmente é uma situação preocupante, até pela condição dela de idosa e pela porcentagem do corpo atingido pelas chamas. A gente reza e pede a Deus para que não tenha o mesmo desfecho que a Ângela infelizmente teve”, relatou a delegada Nathália.

Entenda o caso

José Antônio não aceitava o fim do relacionamento de 17 anos com Ângela, encerrado há cerca de três meses antes do crime. Ele já utilizava tornozeleira eletrônica em razão de outra tentativa de assassinato contra a ex-companheira.


De acordo com as investigações, no dia 8 de maio deste ano, José Antônio arrombou o portão da residência localizada no bairro Lourival Parente, zona Sul de Teresina, antes de atacar as vítimas com um líquido inflamável e provocar o incêndio.

Ângela e a mãe, Maria do Socorro, sofreram queimaduras graves e foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), sendo encaminhadas ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Ângela não resistiu aos ferimentos e morreu. Já Maria do Socorro permanece internada.

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