Atualizada às 12h27
A delegada Bernadete Santana concedeu entrevista ao A10+ e TV Antena 10, na manhã desta quarta-feira (28), e deu detalhes da atuação dos suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes bancárias que causou prejuízo superior a R$ 4 milhões ao Banco do Brasil em Teresina. A Operação Desfalque cumpriu três mandados de busca e apreensão na capital piauiense e Goiânia (GO) e os alvos são dois ex-gerentes bancários.
A investigação apontou que os suspeitos utilizavam o acesso a dados de clientes para realizar movimentações financeiras fraudulentas e desviar recursos da instituição. Foram identificadas pelas menos 63 contas em nomes de beneficiários do INSS e, até mesmo, de falecidos.
Divulgação/PC-PI/Marcelo Camargo/Agência Brasil
"Foi feita uma notícia-crime por parte da Instituição Financeira do Banco do Brasil, em que dois ex-gerentes teriam realizado fraudes bancárias, se utilizando de acessos privilegiados, alterando senhas, emitindo novos cartões, de mais ou menos 63 contas correntes vinculadas a beneficiários do INSS, a maioria deles já falecida. Com acesso aos dados cadastrais, eles verificavam os saldos, extratos, valores de contas que não eram movimentadas, alteravam os dados e emitiam novos cartões, e com esses cartões eles iam até os caixas eletrônicos de diversas agências aqui no Piauí e realizavam os saques", detalhou.
Os saques ocorriam geralmente em Teresina, onde os dois foram demitidos e um deles, inclusive, se mudou para Goiânia, no estado de Goiás. As informações preliminares são de que o esquema teria iniciado em 2023. Há imagens de câmeras de segurança que comprovam a atuação dos envolvidos.
"Diversos saques que eram realizados, por exemplo, um dos titulares das contas tinha em torno de cem mil reais, então todo esse valor era sacado de forma gradativa, de 2, 3 mil reais no decorrer de vários dias. Quando o titular deposita uma quantia de dinheiro na sua conta, na instituição financeira, é ela que faz a guarda, então o prejuízo é da instituição financeira. Por esse acesso privilegiado, eles não necessitavam de terceiros, eles mesmos realizavam os saques. A gente tem imagens de câmeras de segurança em que apontam a presença deles nas agências realizando os saques. Inclusive, um deles foi constatado no próprio caixa de autoatendimento", explicou.
Não há detalhes sobre uma suposta ligação entre eles. "A esposa de um deles era partícipe também da situação. Então, ela realizava também saques, juntamente com o esposo, no caso o ex-gerente, e isso foi verificado através da quebra de sigilo bancária que nós representamos", detalhou.
A polícia seguirá com as investigações para identificar se há mais pessoas envolvidas no esquema. Além disso, todo os eletrônicos recolhidos hoje serão periciados, além de 38 cartões bancários.
"A investigação ainda está em curso, e algo que a gente vai verificar é se existem outras pessoas que estariam dando suporte a esse esquema criminoso. A gente representou pela queda de sigilo bancário, agora a gente vai fazer a análise de dados dos materiais que foram apreendidos, basicamente, celulares, notebooks, além de carros e cartões bancários de terceiros, em torno de 38 cartões", concluiu.