Aliados e gestores da área de segurança pública iniciaram uma ofensiva política para viabilizar o nome de Chico Lucas, atual secretário de Segurança do Piauí, como sucessor de Ricardo Lewandowski, mas no Ministério da Segurança Pública, em um possível desmembramento da pasta da Justiça.
O movimento ganhou corpo na sexta-feira passada com a divulgação de uma carta assinada pelos secretários de Segurança de todo o país em apoio formal à indicação.
A estratégia é capitaneada por Jean Nunes, secretário da Paraíba e atual presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp). O grupo busca agora o aval decisivo de Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social.
Dias é visto como peça-chave no tabuleiro do Planalto, dada sua influência direta sobre o presidente Lula e seu histórico recente como “avalizador” de nomes no primeiro escalão, como a recente nomeação de Gustavo Feliciano para o Turismo. Além de ser conterrâneo e do mesmo grupo político do indicado.
Considerado comedido, Dias tende a defender, primeiro, a criação do Ministério, para só depois dar seu aval sobre um nome para comandar a pasta.
A candidatura de Chico Lucas possui um diferencial raro no cenário político atual: a transversalidade. Seu nome conta com o apoio inclusive de figuras ligadas à gestão anterior, como Sandro Avelar, ex-número dois da Polícia Federal no governo Bolsonaro, o que sinaliza uma boa interlocução entre diferentes espectros ideológicos da segurança.
RESULTADOS
O principal argumento dos defensores de Lucas é a entrega de resultados estatísticos no Piauí, que poderiam acrescentar na discussão da pauta de segurança na campanha de reeleição de Lula.
Entre os indicadores destacados estão:
- Redução de crimes patrimoniais: queda de 53% nos furtos de celulares e 38% no roubo de veículos.
- Homicídios: recuo de 33% na taxa por 100 mil habitantes, atingindo o menor índice da última década no estado.
MUDANÇAS NOS MINISTÉRIOS
A possível indicação ocorre em um momento de rearranjo na Esplanada.
Com a previsão de que pelo menos 18 ministros deixem seus cargos em abril para disputar as eleições, Lula estuda novas movimentações.
WELLINGTON DIAS PODE MUDAR DE PASTA
O próprio Wellington Dias tem sido sondado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), ocupando a vaga de Gleisi Hoffmann.
Embora a SRI gerencie um orçamento de R$ 50 bilhões em emendas, interlocutores de Dias ponderam que a mudança o retiraria de uma pasta com entregas sociais diretas, como o Bolsa Família e a saída do Brasil do Mapa da Fome, para um cargo de articulação política.