Como a coluna Bastidores já havia mostrado, Bruno Vilarinho (PRD), líder do prefeito Sílvio Mendes na Câmara Municipal de Teresina, já era tratado como o virtual nome de consenso para comandar o Legislativo no próximo biênio. Faltava, porém, uma peça importante nesse tabuleiro: a definição do atual presidente, Enzo Samuel (PV). Parte dos vereadores que ainda não havia fechado posição aguardava justamente esse movimento antes de bater o martelo sobre a sucessão. A definição veio nesta quinta-feira (8), em meio às articulações que reuniram os principais grupos da Casa.
O acordo passou a contar também com Enzo Samuel e a bancada do PT, colocando Bruno como candidato único à presidência. Gustavo de Carvalho (PT), que havia colocado o próprio nome na disputa, retirou a candidatura e aderiu à composição. O mesmo caminho foi seguido por vereadores que ainda resistiam ao entendimento, entre eles Leôndidas Júnior e Zé Filho, além de Venâncio, que também era apontado como possível candidato. Com isso, a articulação que já vinha sendo construída há meses ganhou o aval do grupo ligado ao atual presidente.
A mudança é significativa porque a eleição deixa de ser uma disputa aberta e passa a ser, na prática, uma formalização do acordo construído entre os vereadores. Na véspera, Bruno já reunia o apoio declarado de 20 dos 29 parlamentares, número suficiente para demonstrar a dimensão da articulação. O movimento desta quinta-feira amplia esse entendimento e elimina os principais focos de resistência que ainda poderiam produzir uma candidatura alternativa. O nome de Gustavo Carvalho (PT) ganhou força nas últimas semanas por representar a maior bancada da CMT.
Com o consenso fechado, a eleição que estava marcada para 3 de novembro deverá ser antecipada para a próxima semana, após o feriado de 12 de outubro, conforme a articulação anunciada nesta quinta-feira. Assim, a sucessão de Enzo Samuel caminha para uma definição sem disputa pela presidência, restando agora acertar a composição dos demais cargos da Mesa Diretora. A eleição, portanto, não deve mais ser o momento de decidir quem comandará a Câmara, mas de formalizar nas urnas o acordo político que já foi construído entre os 29 vereadores.
Um acordo que vinha sendo construído
A escolha de Bruno não surgiu de última hora. Em julho, o vereador já havia construído um acordo inicial com uma ampla parcela da Câmara e era apontado como nome sem concorrente efetivo. O que faltava era justamente a definição do calendário eleitoral e, principalmente, a posição de Enzo Samuel e de seu grupo. Com o apoio do atual presidente e a retirada dos nomes que ainda apareciam como alternativas, a sucessão ganhou contornos de consenso.