Ministério Público abre procedimento contra prefeitura de Dirceu Arcoverde por atraso de salários e 13º de servidores

Promotoria quer explicações formais do prefeito Dr. Ramon Café (MDB), documentos fiscais dos últimos seis meses e cobra transparência

O Ministério Público do Piauí colocou a gestão de Dirceu Arcoverde sob lupa por causa de uma situação que atinge direto o bolso de quem trabalha para o município: o atraso no salário de dezembro dos servidores e o não pagamento do 13º. A Promotoria de Justiça de São Raimundo Nonato decidiu transformar uma Notícia de Fato em um Procedimento Administrativo para acompanhar, de perto e de forma contínua, o que a prefeitura vai fazer para regularizar esses pagamentos e esclarecer a situação das contas públicas.

  

Ministério Público abre procedimento contra prefeitura de Dirceu Arcoverde por atraso de salários e 13º de servidores
Divulgação
   

Na prática, o que chegou ao Ministério Público foi a notícia de que servidores municipais ficaram sem receber o mês de dezembro e a gratificação natalina, o famoso 13º salário. Além disso, há queixas sobre falta de transparência na gestão do dinheiro público do município. Isso, em tese, significa violação de direitos sociais básicos dos servidores e afronta a princípios como legalidade, moralidade e publicidade, além de possível desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e à Lei de Acesso à Informação.

Diante da denúncia, a Promotoria mandou ofício ao prefeito Dr. Ramon Café (MDB) pedindo explicações detalhadas: por que dezembro atrasou, por que o 13º não foi pago, qual o cronograma para quitar o que está devendo, que medidas foram adotadas e quais documentos comprovam isso. Também pediu que o município enviasse demonstrativos fiscais e financeiros dos últimos seis meses, mostrando receitas, despesas, execução da folha, restos a pagar e a real situação de caixa.

O problema é que, mesmo oficialmente cientificada, a prefeitura não respondeu como deveria. O Ministério Público chegou a reiterar o pedido, insistiu na cobrança e, passado o prazo, constatou que o município não atendeu integralmente às requisições. Ou seja: além do atraso com o servidor, a gestão também ignorou o órgão de controle.

Diante disso, o promotor Romerson Maurício de Araújo entendeu que não dava mais para tratar o assunto como um procedimento rápido. Era preciso abrir um processo mais robusto, capaz de acompanhar as providências da prefeitura e juntar toda a documentação financeira e funcional necessária. Por isso, converteu a Notícia de Fato em Procedimento Administrativo nº 20/2026, com foco específico em Dirceu Arcoverde.

A partir de agora, o prefeito e o município terão 15 dias para:

Tudo isso passa a ser exigido oficialmente, com publicação da portaria, registro no sistema interno do Ministério Público e comunicação ao Conselho Superior do MP. Em outras palavras: o caso sai da conversa informal e entra para a agenda formal de fiscalização da Promotoria.

Se a prefeitura continuar sem responder ou se ficar comprovado que houve desrespeito à lei, o passo seguinte pode ser a adoção de medidas mais duras, como ações judiciais de cobrança, ações por improbidade administrativa e responsabilização pessoal de quem deu causa ao problema. Por enquanto, o MP pede informações e documentos, e dá ao Prefeito Dr. Ramon Café (MDB) a chance de mostrar que está regularizando a situação e que tem justificativa para o atraso. Mas deixa claro, no papel, que está acompanhando de perto e que não vai deixar os servidores de Dirceu Arcoverde sem resposta nem sem salário.