Uma série de suspeitas graves colocou a Prefeitura de João Costa no radar do Ministério Público. Um novo procedimento preparatório foi aberto para investigar possíveis atos de improbidade administrativa envolvendo o prefeito Gilson Castro de Assis (PSD) e outros agentes públicos do município.
A lista de irregularidades chama atenção: nepotismo, acúmulo ilegal de cargos, contratos com indícios de superfaturamento, conflito de interesses na fiscalização de obras e até a possível existência de uma estrutura voltada para favorecimento político eleitoral.
Não se trata de um ponto isolado. Segundo o próprio Ministério Público, há elementos iniciais que indicam práticas que podem violar diretamente a lei de improbidade administrativa, especialmente no uso da máquina pública para interesses particulares.
Um dos focos da investigação está nas nomeações de pessoas com possível vínculo familiar, o que pode configurar nepotismo — prática proibida no serviço público. Além disso, também entrou na mira o acúmulo de funções por parte de um servidor, o que levanta dúvidas sobre a legalidade e até a viabilidade real de exercer múltiplos cargos ao mesmo tempo.
Outro ponto sensível envolve contratos públicos, principalmente nas áreas de obras e gerenciamento de frota. A suspeita é de desvio de finalidade e possível superfaturamento — ou seja, contratos que podem ter sido usados de forma irregular ou com valores acima do devido.
A situação se agrava quando entra em cena o possível conflito de interesses: o mesmo servidor que atuaria na execução ou ligação com contratos também poderia estar envolvido na fiscalização dessas obras. Na prática, isso compromete a transparência e abre espaço para irregularidades passarem sem controle.
E não para por aí. O Ministério Público também quer saber se há uma engrenagem política por trás dessas ações — uma estrutura que estaria sendo usada para fortalecer interesses eleitorais com base na máquina pública.
Para avançar nas investigações, o MP já determinou uma série de medidas. Entre elas, a Prefeitura terá que apresentar documentos detalhados sobre obras, registros de frequência de servidores, uso de veículos oficiais e comprovação da qualificação técnica de pessoas nomeadas para cargos estratégicos.
Até informações eleitorais foram solicitadas, como mudança de domicílio e vínculos residenciais de alguns investigados — um indício de que a apuração pode ir além da esfera administrativa e alcançar também o campo político.
O procedimento ainda está no início, mas o recado já foi dado: quando surgem indícios de uso indevido do poder público, o Ministério Público entra em campo.