O que era para ser um símbolo de inclusão e humanização do atendimento social em Bocaina acabou se transformando em motivo de piada e indignação. A recente inauguração da sede reformada do Centro de Referência de Assistência Social revelou uma falha grave: a rampa de acesso, supostamente destinada a cadeirantes e idosos, simplesmente não funciona. A Prefeitura inaugurou, no fim da tarde da sexta-feira (30), o CRAS após uma ampla reforma estrutural. Localizado no centro da cidade, o prédio passou por melhorias que, segundo a gestão municipal, visam oferecer mais conforto aos usuários e melhores condições de trabalho aos servidores da assistência social.
A solenidade reuniu o prefeito Guilherme Macedo, o vice-prefeito Naldo Leão, secretários municipais, vereadores, servidores e moradores. Houve descerramento de fita, visita às dependências e discursos destacando a importância do equipamento público para o fortalecimento das políticas sociais no município. De fato, a reforma trouxe avanços: ampliação de salas, instalação de ar-condicionado, aquisição de computadores, pintura geral, forro de gesso e reorganização dos espaços internos, tornando o ambiente mais moderno e acolhedor.
No entanto, um detalhe essencial comprometeu o discurso oficial de inclusão. A rampa de acesso construída para garantir a entrada de pessoas com mobilidade reduzida foi equipada com corrimãos dos dois lados, posicionados de forma tão estreita que impedem completamente a passagem de cadeiras de rodas. Na prática, o equipamento existe apenas como elemento visual — não cumpre sua função básica e acaba jogando os usuários literalmente de cara na parede.
A situação ganhou repercussão nas redes sociais e entre moradores, que passaram a questionar como uma obra recém-inaugurada, voltada justamente ao atendimento de públicos vulneráveis, consegue ignorar normas elementares de acessibilidade. Para muitos, o episódio expõe não apenas um erro técnico, mas a ausência de fiscalização adequada e de sensibilidade na execução do projeto.
Especialistas em acessibilidade lembram que rampas mal projetadas não são apenas ineficazes: elas simbolizam exclusão. Em um prédio como o CRAS, que atende idosos, pessoas com deficiência e famílias em situação de vulnerabilidade, o problema ganha contornos ainda mais graves.
A Coluna tentou contato com o secretário municipal de Assistência Social, Teodoro João Simão, o Teodorico, mas sem sucesso. Até o momento, a Prefeitura de Bocaina não informou se fará ajustes imediatos para corrigir a falha. Enquanto isso, a reforma que deveria ser exemplo de humanização acaba sendo lembrada por um erro que poderia — e deveria — ter sido evitado ainda no papel.