Atualizada às 23h05
Em uma virada histórica, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e foi reeleito presidente do Brasil com mais de 51% dos votos. A disputa, realizada neste domingo (25), foi marcada pela polarização entre os dois candidatos. Com o resultado, o petista, de 80 anos, torna-se o primeiro político a reverter uma derrota no primeiro turno e conquistar um quarto mandato presidencial, um feito inédito.
Com a eleição, Lula torna-se o primeiro presidente a conseguir uma virada no segundo turno após terminar atrás do adversário no primeiro turno. Desde 1989, nenhum candidato havia conseguido esse feito. A vitória já havia sido cravada pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles, que se dedicou integralmente à campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro.
Arte A10+
O resultado, que demorou por conta da prorrogação da votação em todo o país, representa uma reversão do desempenho do primeiro turno, quando Flávio terminou numericamente à frente do atual presidente. Na reta final da campanha, pesquisas eleitorais chegaram a apontar vantagem do candidato do PL, embora os dois permanecessem tecnicamente empatados em levantamentos divulgados na véspera da votação.
As últimas pesquisas eleitorais divulgadas antes do segundo turno apontaram vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas indicaram empate técnico entre os candidatos.
Propostas e principais bandeiras da campanha
A campanha do segundo turno concentrou a disputa entre os projetos apresentados por Lula e Flávio Bolsonaro para o próximo mandato presidencial. Economia, segurança pública, políticas sociais e gestão do governo federal estiveram entre os temas centrais do confronto eleitoral.
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula defendeu a continuidade de políticas sociais e de medidas voltadas à geração de emprego, ao aumento da renda e à redução da pobreza. A campanha também destacou a atuação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico e na ampliação do acesso a serviços públicos.
A segurança pública foi outro tema da disputa entre os candidatos. O debate envolveu propostas para combater o crime organizado, fortalecer a atuação das forças policiais e enfrentar a violência.
Debates na Band e na Globo: confronto entre os candidatos
Os debates presidenciais foram momentos de apresentação de propostas e confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os encontros também deram visibilidade a declarações sobre economia, políticas públicas e a atuação dos dois grupos políticos.
No debate realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos trocaram críticas sobre a gestão federal, a economia e outros temas da disputa presidencial.
Renato Pizzutto/ Divulgação Band - 18.10.2026
Um dos pontos que exigiram verificação foi uma declaração de Flávio Bolsonaro sobre os gastos com viagens de Lula e da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja. Checagem publicada pela Folha de S.Paulo apontou que o valor de R$ 7 bilhões citado pelo senador não correspondia exclusivamente aos gastos do presidente e da primeira-dama, mas a despesas com viagens de órgãos do governo federal.
Lula também fez declarações sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação dos alimentos que foram analisadas por checadores. Em uma das verificações, a Folha de S.Paulo apontou imprecisão na afirmação de que o PIB só teria voltado a crescer acima de 3% após seu retorno à Presidência.
Ricardo Stuckert
No debate da TV Globo, realizado em 23 de outubro, os candidatos voltaram a confrontar suas propostas e trocar acusações a dois dias da votação.
As verificações publicadas após o encontro identificaram declarações falsas, exageradas ou fora de contexto dos dois candidatos. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, com base em checagens da Agência Lupa, 20 das 35 afirmações analisadas foram classificadas como falsas, exageradas ou fora de contexto, enquanto 11 foram consideradas verdadeiras.
Manifestações em Teresina e no interior do Piauí
A campanha de Lula (PT) promoveu uma série de mobilizações em Teresina nas semanas que antecederam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os atos reuniram estudantes, militantes, representantes de movimentos sociais e lideranças políticas em caminhadas pelas ruas da capital.
Uma das principais manifestações ocorreu em 13 de outubro, durante o ato “Piauí é Lula”. A concentração foi realizada no Parque da Cidadania, e os participantes seguiram pelas avenidas Miguel Rosa e Frei Serafim até a Praça da Liberdade, na região central de Teresina.
Gabriel Paulino / CCOM
Outra mobilização ocorreu em 19 de outubro, Dia do Piauí. A caminhada “Piauí com Lula 13” começou em frente à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), passou pela Ponte Presidente Juscelino Kubitschek e pela Avenida João XXIII e terminou na região da Avenida Raul Lopes. Entre as lideranças citadas na cobertura estavam o ministro Wellington Dias e o vice-governador Washington Bandeira.
Na véspera do segundo turno, em 24 de outubro, apoiadores de Lula também organizaram uma passeata com concentração na Ponte Estaiada e percurso previsto até a Alepi. O ato contou com a presença de governadores do Nordeste, como Rafael Fonteles e Camilo Santana.
No interior, uma mobilização denominada “Carreata da Vitória” foi anunciada para 18 de outubro, com previsão de passagem por 15 municípios da região dos Cocais e concentração final em Esperantina. A iniciativa foi articulada por lideranças políticas do estado em apoio à candidatura petista.
Quem é Lula: da liderança sindical à Presidência
Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde iniciou sua trajetória profissional e se formou como torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Lula ganhou projeção nacional no movimento sindical durante as greves de metalúrgicos do ABC paulista, no final da década de 1970. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual construiu sua carreira política.
Reprodução
Após disputar a Presidência em diferentes eleições, foi eleito em 2002 e tomou posse em janeiro de 2003. Governou o país até 2010, período em que programas sociais, políticas de valorização do salário mínimo e iniciativas de combate à pobreza tiveram destaque na agenda federal.
Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e retornou à Presidência em janeiro de 2023.
A trajetória do petista também foi marcada pelos processos da Operação Lava Jato e pelas decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam as condenações que o impediam de disputar eleições.
No cenário desta reportagem, a vitória sobre Flávio Bolsonaro em 2026 assegura a Lula um novo mandato presidencial. A disputa também reforça o papel do PT e de seus aliados na política nacional, embora os efeitos do resultado sobre o Congresso e as forças estaduais dependam da composição política que se consolidará após as eleições.
Créditos: @miopaa