Desde novembro do ano passado dona Maria José, de 96 anos, moradora de Teresina, teve seu benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) interrompido; depois disso, a idosa passou a depender da solidariedade de familiares, vizinhos e amigos para garantir a alimentação e o tratamento de saúde.
Sem renda fixa, ela relata dificuldades para comprar alimentos e medicamentos essenciais para o seu bem-estar. A situação tem causado preocupação entre moradores da comunidade, que se mobilizam para ajudá-la enquanto a família busca alternativas para reverter o problema.
"Eu me sinto humilhada e com medo de morrer de fome. Porque o pobre não tem mais valor, a gente trabalha pra ajudar o rico e depois, pro fim da vida, que precisa mais, tá morrendo de fome", disse emocionada dona Maria José.
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Na tentativa de regularizar a situação, a neta da idosa, Marta Oliveira, procurou órgãos de assistência social para entender os motivos do cancelamento do benefício e buscar uma solução. Segundo ela, o processo tem sido marcado por dificuldades e falta de informações claras.
"Não conseguimos desbloquear o benefício dela. A gente foi no CRAS do Angelim III e lá deram papel pra desbloquear o benefício. Levamos no INSS, e lá no INSS não conseguimos entrar lá dentro, porque tinha que ter um advogado pra entrar lá dentro, e nós estávamos sem advogado nesse momento. Ela entrou com outro advogado sobre o benefício dela pra desbloquear, mas aí a gente não sabe se é certeza que desbloqueia", contou a neta Marta Oliveira.
Enquanto aguarda uma definição, dona Maria José conta com a ajuda de vizinhos para conseguir se alimentar e adquirir remédios. De acordo com pessoas próximas, toda a família enfrenta dificuldades financeiras, o que torna a situação ainda mais complicada.
O vizinho e taxista Cristóvão Alves acompanha o caso e explica que a suspensão do benefício pode estar relacionada à falta de atualização no Cadastro Único (CadÚnico). Segundo ele, a família buscou regularizar a documentação, mas ainda não obteve sucesso.
"Eu fui procurar saber, né, pra tentar ajudar, e aí eu pesquisei junto com as informações que ela me passou, e vi que ela não tinha feito o CadÚnico dela. Ela achava que só com a prova de vida que ela tinha feito, e estava atualizada a prova de vida, que esse benefício não seria cessado. E aí, através do CadÚnico, foi cessada a aposentadoria dela. Ela correu atrás com a neta dela, foi ao posto de saúde, e conseguiram levar o CRAS, fizeram o CadÚnico, levaram para o INSS, mas mesmo assim não retornou, porque o benefício tinha sido cessado, a informação que eles passaram é que teria que fazer uma nova aposentadoria, ou procurar um advogado para recorrer à decisão do cessamento da aposentadoria. O processo é burocrático, e até hoje ela não está recebendo o benefício", relatou o vizinho e taxista Cristóvão Alves.
Cristóvão também relata que a comunidade tem se unido para ajudar a idosa, principalmente com alimentação e medicamentos.
"Ela está passando muita dificuldade, ela não toma os remédios dela porque não tem dinheiro para comprar, a gente ajuda no que pode. A alimentação dela, eu vejo os vizinhos chegando com o prato meio-dia, a dona Joana, que mora aqui atrás, ajuda, a gente ajuda aqui um pouquinho", disse Cristóvão Alves.
Em meio às dificuldades, dona Maria José mantém a esperança de voltar a receber o benefício que, segundo ela, garantia uma vida mais digna e condições adequadas para cuidar da própria saúde.
"Eu queria que voltasse para a minha aposentadoria para eu voltar a ser feliz como eu era. Eu tinha o meu remédio, comia bem, minha alimentação era boa, hoje eu estou aqui só os ossos", lamentou dona Maria José.
Como ajudar
Pessoas interessadas em contribuir com qualquer valor para auxiliar dona Maria José podem fazer uma transferência via PIX para a chave: (86) 98843-3510, em nome de Cristóvão Alves Ferreira.