*Por Marco Sena, estagiário sob supervisão de Marcelo Gomes
A dor orofacial (DTM) ocupa o segundo lugar entre as condições musculoesqueléticas mais dolorosas e incapacitantes, ficando atrás apenas da lombalgia crônica. A condição está entre as principais dores crônicas que afetam a população. Em entrevista ao Piauí no Ar, nesta quarta-feira (13), a médica Rosanne Holanda destacou que as dores musculares, articulares e as cefaleias primárias estão entre os casos mais comuns.
Durante a entrevista, a apresentadora Beatriz Ribas compartilhou um relato pessoal sobre o bruxismo e contou que, após buscar ajuda profissional, conseguiu reduzir os sintomas. “Eu acordava e parecia que tinha feito tanto esforço aqui na mandíbula, era uma dor insuportável”, relatou Beatriz.
Ao ser questionada sobre qual profissional procurar para o tratamento, Rosanne explicou que o ideal é buscar, dentro da odontologia, um especialista em dor orofacial. “Às vezes o paciente vai ao médico, e o médico coloca um ortodontista, enfim, uma mistura”, afirmou. Segundo ela, a conscientização é a base do tratamento, principalmente porque grande parte das pessoas que procuram ajuda já convivem com a dor há muito tempo. “A gente precisa conscientizar o paciente a buscar o profissional adequado”, destacou.
Ela explicou ainda que o tratamento pode envolver medicações, prática de atividade física e avaliação da qualidade de vida do paciente, especialmente do sono. A alimentação também pode estar relacionada ao problema, além do uso de aparelhos intraorais, indicados conforme cada caso. Por se tratar de uma condição multifatorial, o tratamento exige acompanhamento multiprofissional, incluindo fisioterapeutas, que ajudam a normalizar a função muscular.
“O que a gente precisa? Buscar o profissional que, junto com outros profissionais, se adeque àquela situação de dor. Quando a gente fala de dor crônica é uma dor que perdura mais de três meses, então o tratamento também demora”, afirmou a médica.
Rosanne ressaltou que o bruxismo é um dos principais sinais de alerta para a DTM, podendo ocorrer tanto em crianças quanto em adultos. Outros sinais incluem limitação para abrir a boca, dificuldade para comer e falar, dores de cabeça, especialmente ao acordar, sensação de cansaço na região da mandíbula, além de sintomas auditivos, como zumbidos e estalidos.
Questionada se o bruxismo pode piorar quando não tratado, ela esclareceu que não se trata de uma doença, mas sim de um comportamento, que pode ocorrer durante o dia, chamado de bruxismo de vigília, ou durante a noite, conhecido como bruxismo noturno. A médica reforçou a importância de observar a posição da boca em repouso. “Como é que fica a nossa boca em situação de repouso? Sempre que eu falo pro paciente ele diz: nunca me falaram isso”, comentou.
Ela orientou sobre a posição correta: “A forma correta é: o lábio selado, dentes sem encostar, a língua no céu da boca e a ponta suavemente atrás dos incisivos. Isso evita o bruxismo em vigília”, explicou. Segundo ela, essa prática também ajuda a evitar o “bracing”, que é o apertamento dos dentes sem produzir barulho.
Nesta semana, a Sociedade Brasileira de Dor Orofacial promove uma campanha de conscientização sobre a DTM com o tema “DTM, será se você tem?”, levando informação e conhecimento para a população.