Golpe da "Compra Fantasma": alvo principal em Teresina recebia produtos e enviava para líder do grupo criminoso em SP; delegado dá detalhes

O prejuízo somado às vítimas das duas operações supera R$ 1 milhão, com mais de 100 vítimas identificadas somente no estado

O delegado Humberto Mácola,  do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), afirmou que o alvo principal, em Teresina, da operação "Compra Fantasma" seria uma mulher identificada como Geyse Vitória. Ela recebia os produtos adquiridos na capital pelo suspeito de ser o líder da organização criminosa, André Henrique Pacheco da Silva, que atuava a partir do estado de São Paulo. O prejuízo somado às vítimas das duas operações supera R$ 1 milhão, com mais de 100 vítimas identificadas somente no estado.

  

Geysa Vitória, suspeita presa em Teresina A10+/TV Antena10
   

Em entrevista ao A10+ e TV Antena 10,  o delegado explicou que líder do grupo selecionava as vítimas que anunciavam principalmente dispositivos eletrônicos usados em plataformas como Mercado Livre e OLX, se apresentava como comprador interessado e enviava e-mails falsos simulando a aprovação do pagamento. O produto era retirado por motorista de aplicativo, sem que houvesse pagamento real, e revendido por colaboradores locais, com divisão de 70% para o líder e 30% para quem recebia a mercadoria. Geyse era responsável por pegar o produto e enviar para São Paulo.

"O André é o líder da Compra Fantasma, ele fazia a abordagem às vítimas de Teresina, dizendo que queria comprar produtos, como celulares e notebooks, e se contactava com a Geyse Vitória aqui em Teresina. Ela pegava em centro espírita ou em um terreno baldio, e enviava esses produtos para a equipe de São Paulo. Foram identificadas várias conversas entre ela e a organização criminosa, inclusive, afirmando que conseguiram enganar a vítima, que o golpe estava concluído, ela recebia 30% do valor da venda, e ele recebia 70%", destacou.


No âmbito das investigações, as equipes verificaram que o grupo criminoso utilizou mais de 300 vezes corridas em aplicativos de transportes na capital piauiense. A polícia vai apurar se há a participação de motoristas no esquema. Até o momento, 9 pessoas foram presas. Diversas vítimas foram registradas em outros estados.

"Pelo menos 210 corridas foram concluídas. Eles agiam em outros estados, e estamos entrando em contato também com outras vítimas. Por enquanto, a gente percebeu que ela agia sozinha, mas ela estava tentando cooptar outras pessoas para agirem também dessa mesma maneira aqui em Teresina. A sede era na cidade de São Paulo, mas eles tinham também representantes em outros estados brasileiros", explicou.

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O suspeito de liderar o grupo ainda não foi preso. Geyse foi detida na capital piauiense e será interrogada ao longo do dia.  A ação ocorre com apoio da SOI e das Polícias Civis de Minas Gerais e de São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos mais de 40 mandados judiciais, entre prisões temporárias e buscas e apreensões, expedidos pela Central de Inquéritos da Comarca de Teresina. 

Operação Miragem Financeira

De forma simultânea, a polícia também cumpre ordens judiciais pela "Operação Miragem Financeira" contra os crimes praticados através do golpe do "Falso Investimento". Os investigados aliciavam vítimas em grupos de aplicativos de mensagens, por meio de perfis falsos de consultores de investimento que utilizavam indevidamente o nome de instituição financeira de renome. "As vítimas eram levadas a instalar um aplicativo de corretora falso e a transferir valores via PIX para empresas de fachada controladas por interpostas pessoas, até a fraude ser descoberta", explicou.

  

As duas operações ocorrem de forma simultânea  Divulgação
  

"Nós temos muitas vítimas aqui em Teresina, que são redirecionadas para um grupo que se diz de investimento, lá existe um líder do grupo que se diz coach. Essa empresa orienta às pessoas a baixarem um aplicativo, que pode ser encontrado tanto na loja da Apple como na loja do Android. Eles baixam esse aplicativo, as vítimas faziam aportes financeiros nesse aplicativo, viam os seus valores inflando, 10%, 15% por mês, mas tudo era fachada, o aplicativo era gerenciado pelo grupo criminoso. No momento em que a pessoa tentava sacar, o aplicativo era bloqueado. Somente uma pessoa teve prejuízo de R$ 650 mil", concluiu.