O grupo criminoso investigado na Operação Madara era chefiado por um funcionário terceirizado do Tribunal de Justiça do Piauí. De acordo com a polícia, os integrantes utilizavam codinomes inspirados em personagens fictícios, principalmente de animes japoneses, e mantinham uma estrutura bem organizada, com funções divididas para realizar o atendimento online relacionado à venda de drogas em Teresina. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil do Piauí durante entrevista à imprensa na manhã desta quinta-feira (26).
De acordo com o delegado Yan Brayner, o alvo principal, Paulo Ubiratan, era digitador no Poder Judiciário e atuava na coordenação das atividades do grupo criminoso. A irmã dele, identificada apenas como Débora, é suspeita de fornecer contas para o recebimento dos pagamentos das drogas por meio de Pix.
"Foi importante a gente tirar esse indivíduo do ambiente de trabalho dele, onde circulam informações sensíveis através de sistemas. Ele montou esse esquema criminoso de forma bem consolidada, de maneira que ficou bem definida as tarefas", destacou.
As investigações apontaram que os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, especialmente perfis vinculados a números de telefone no WhatsApp, para divulgar a disponibilidade de substâncias ilícitas, negociar valores, combinar locais de entrega e confirmar pagamentos. A polícia apurou que o líder teria criado um sistema de delivery de drogas.
"Ficou comprovado que existia divisão clara de tarefas, a pessoa responsável pelo atendimento aos usuários no Whatsapp, um pelas entregas, outro pelo recebimento dos valores e o líder que organizava toda essa estrutura. Eram vendidos todos os tipos de drogas: skunk, maconha, cocaína e droga sintética. Tudo era comercializado e divulgado nas redes sociais. A pessoa responsável pelo atendimento relatou que recebia quatro reais por cada venda e conseguia movimenta mil reais por semana", afirmou o delegado Francílio.
O uso dos codinomes associados a animes japoneses era uma estratégia de dificultar a identificação dos interlocutores e ocultar a identidade dos integrantes da organização criminosa. "Foi um mecanismo utilizado por eles sendo uma tentativa de ocultação de identidade civil, mas esse subterfúgio não teve êxito, conseguimos identificar cada um, a participação e vamos individualizar as condutas desse grupo criminoso", disse o delegado Leonardo Alexandre.
Todo o material recolhido dentre dispositivos eletrônicos, drogas, veículo e demais objetos subsidiarão novas investigação. A polícia vai apurar o possível envolvimento dos alvos com facções criminosas. Nas casas de dois deles foram apreendidas drogas sendo autuados também em flagrante.
Os presos foram encaminhados à sede da Secretaria de Segurança Pública para a adoção dos procedimentos legais cabíveis e, posteriormente, serão apresentados ao Poder Judiciário.
O nome da operação faz referência a Madara Uchiha, personagem do anime Naruto, conhecido por sua liderança e atuação estratégica. A ação foi coordenada pela 4ª Delegacia Seccional em conjunto com a Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (DIPC), Diretoria de Inteligência da SSP, Superintendência de Operações Integradas (SOI) e Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISPI).
De acordo com o delegado Leonardo Alexandre, a ação demonstra a importância do trabalho integrado entre as forças de segurança no combate ao crime organizado. “A Operação Madara é resultado de um trabalho técnico e integrado das nossas equipes de inteligência, que identificaram a atuação desse grupo criminoso e sua forma de organização. Seguiremos atuando de maneira firme e estratégica no enfrentamento ao tráfico de drogas em todo”, pontuou o delegado.