O empresário Igo Medeiros Camarço foi internado em uma clínica especializada em saúde mental após ser solto pela Justiça do Piauí. Ele, que é dono de uma sorveteria e autoescola, foi detido na última sexta-feira (26), suspeito de atirar contra outro homem após uma discussão relacionada à instalação de um portão eletrônico, na zona Norte de Teresina.
No dia da prisão, ele chegou a ironizar a situação ao declarar que, se fosse colocado em liberdade, faria uma “promoção” de R$ 1 em sua sorveteria.
Myzael Luis, advogado do empresário, afirmou em entrevista ao A10+ e TV Antena 10, na manhã desta segunda-feira (29), que Igo já tinha um acompanhamento médico. O empresário também já contava com boletins de ocorrência por comportamentos violentos, incluindo a agressão de um funcionário com um tapa no rosto.
"Ele já havia sido acompanhado por uma equipe médica, e o que fez com que ele não procurasse [uma clínica], imediatamente, foi justamente a preocupação com seus familiares, com seus funcionários e colaboradores, que dependem do trabalho dele. Por isso, ele resistiu, mesmo com a família insistindo durante um tempo, e agora, de fato, ele foi encaminhado a essa clínica para tratar da saúde dele", afirmou.
O advogado afirmou que não houve uma tentativa de homicídio e que a prisão foi "desnecessária e desproporcional". "Ele sequer foi ouvido para prestar esclarecimentos acerca dos fatos que ocorreram há aproximadamente dois meses. É interessante também destacar que foi divulgada apenas a versão da vítima, a versão do acusado, não. E a gente espera que quando ele finalizar essa primeira parte do tratamento, ele esteja apto para se manifestar e defender a sua honra, a sua imagem. Não houve tentativa de homicídio. Houve, na verdade, uma defesa contra um ataque que ele sofreu naquele momento. Isso vai ser esclarecido nos autos", disse.
A prisão
De acordo com o delegado Eduardo Aquino, responsável pelas investigações, o conflito começou após um desentendimento envolvendo o funcionamento do motor de um portão instalado em um dos estabelecimentos comerciais do empresário. Segundo a polícia, o equipamento havia sido adquirido pelo próprio suspeito, e a discussão ocorreu em torno do defeito apresentado. Após a briga, o empresário foi até a residência da vítima, bateu com violência no portão até que ela saísse e, em seguida, efetuou dois disparos de arma de fogo. A vítima foi atingida na perna.
Na ocasião, ele alegou legítima defesa, afirmando que a vítima teria soltado dois cães da raça pitbull contra ele. Questionado sobre os disparos, disse não se lembrar do ocorrido.
Na decisão, a Justiça do Piauí determinou a revogação de um mandado anteriormente expedido contra o empresário.
De acordo com o despacho, a medida foi adotada após análise do processo, indicando que não há mais necessidade de manutenção da determinação anterior. Com isso, o empresário responderá o crime de tentativa de homicídio em liberdade, mas com medidas cautelares.