Justiça italiana autoriza extradição de Zambelli por porte ilegal de arma

Esta é a segunda vez que a Corte de Apelação de Roma se declara favorável ao retorno da ex-deputada ao Brasil

A Justiça italiana acolheu, nesta quinta-feira (16), novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli apresentado pelo governo brasileiro. Desta vez, a medida está relacionada ao crime de porte ilegal de arma. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Ainda cabe recurso da decisão.

No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Zambelli por ter perseguido, com uma arma em punho, um homem pelas ruas de São Paulo em 2022. Essa foi a segunda sentença definitiva contra a ex-parlamentar na corte.

  
Carla Zambelli
Lula Marques / EBC
 
 
 

O episódio ocorreu um dia antes do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli sacou a arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo pela rua e dentro de uma lanchonete, onde ele buscou abrigo.

A perseguição começou após Zambelli e Luan terem trocado provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, na capital paulista.

Já a primeira condenação da ex-parlamentar, a 10 anos de prisão, está relacionada à invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Neste caso, a Justiça italiana também decidiu por sua extradição.

Zambelli está presa desde julho do ano passado em uma das maiores unidades carcerárias da Itália, que abriga mulheres em regimes de média e alta segurança, com capacidade projetada para 260 internas.

Fuga para a Itália

Zambelli deixou o Brasil em 5 de junho de 2025. Viajou primeiro para os Estados Unidos e chegou à Itália, vindo de Miami, no dia seguinte à emissão da sentença do STF com a ordem de sua prisão.

O timing não passou despercebido pelos magistrados italianos. A corte registrou na decisão que a ex-deputada aproveitou uma janela em que o alerta vermelho da Interpol — a chamada Red Notice — ainda não havia sido inserido nos sistemas de controle dos aeroportos locais. Por isso, ela cruzou a imigração sem ser detectada.

Após entrar na Itália, Zambelli permaneceu foragida por semanas. A polícia judiciária italiana concluiu, com base em investigações, que ela desfrutou de uma rede de suporte para sua latitância — termo técnico utilizado no documento para definir a estrutura montada para mantê-la em fuga.

No primeiro julgamento, a existência desse esquema tornou-se um dos principais argumentos da corte para negar os sucessivos pedidos de liberdade apresentados pela defesa. Para os juízes, a rede demonstrava um risco “concreto e atual” de nova fuga, caso Zambelli fosse solta.

O R7 procurou a defesa da ex-parlamentar para comentar a decisão desta quinta-feira da Justiça italiana e aguarda um retorno. O espaço segue aberto para manifestação.