‘Queremos vocês, homens, nessa luta’, diz Lula, ao lançar Pacto Nacional contra o Feminicídio

Representantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, todos homens, reforçaram ação conjunta e união entre os poderes

Os presidentes da República, do STF, da Câmara e do Senado asssinaram o documento de lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa conjunta dos três Poderes.

Luiz Inácio Lula da Silva, Edson Fachin, Hugo Motta e Davi Alcolumbre fizeram discursos com o mesmo objetivo: apontar a importância da união nacional contra a violência.

 

‘Queremos vocês, homens, nessa luta’, diz Lula, ao lançar Pacto Nacional contra o Feminicídio
Ricardo Stuckert /PR
 

Antes de fazer o discurso oficial, o petista chamou os homens para serem os principais responsáveis. Afirmou que, pela primeira vez, eles assumem que a luta pela defesa da mulher não é só da mulher, mas do agressor.

‘Queremos vocês, homens, nessa luta’, afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o último a discursar, após assinar o decreto que oficializa a medida. Em sua fala, o petista reforçou o peso da união dos Poderes e a importância da conscientização começar logo na infância.

“Esse é um tema para todos os discursos, não apenas para o Dia Internacional da Mulher. É lembrar que, quando estivermos falando, estamos tentando conscientizar uma criança. É saber se um jovem, que se forma doutor em qualquer curso, também pode ser um doutor em respeito à mulher, aos direitos humanos e à cidadania”, argumentou o presidente.

Segundo o presidente, é papel do Poder Público “aprimorar os instrumentos de proteção, prevenção e acolhimento”.

“Enquanto homens, vamos desconstruir tijolo por tijolo essa cultura machista que nos envergonha a todos. É preciso punir de forma exemplar os agressores. Mas também é necessário educar os meninos, conscientizar os jovens e os adultos”, apontou.

Alcolumbre

Alcolumbre foi o único que desviou do assunto principal em seu discurso. Ao apontar a presença dos chefes dos Três Poderes, negou divisão entre eles e disse que as instituições “estão unidas”.

“Nas últimas semanas, alguns atores tentam criar divergências entre os poderes, mas estão unidos. As mentiras, em um certo momento, se transformaram em verdade. Este ato é a demonstração de que as instituições estão unidas. As instituições estão unidas, firmes, com coragem para encarar os desafios do Brasil”, afirmou Alcolumbre.

O Pacto foi apresentado como uma resposta das instituições frente à escalada de violência de gênero no Brasil, que fechou 2025 com um recorde histórico de casos de feminicídio (1.470 casos). Durante as falas, as autoridades garantiram ação conjunta e ações mais rigorosas contra tais crimes.

Confira, a seguir, os principais eixos do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio: