O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (20) que não vê turbulência no cenário eleitoral e disse estar “tranquilo” para disputar um eventual quarto mandato nas eleições de 2026. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Alemanha, onde o petista também comentou o ambiente político internacional.
“Não tem turbulência nenhuma. Eu encaro eleição como a coisa mais democrática, mais tranquila possível. Sou o cidadão que mais disputou eleição na história do Brasil, portanto eleição pra mim não tem turbulência”, afirmou.
A fala de Lula ocorre em um momento de maior pressão no cenário eleitoral. Pesquisa Quaest divulgada no último dia 15 mostra empate técnico entre o presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
Segundo o levantamento, Flávio aparece com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. É a primeira vez na série histórica da pesquisa que o parlamentar supera numericamente o presidente.
O cenário representa uma mudança em relação aos meses anteriores. Em dezembro, Lula tinha vantagem de dez pontos sobre o adversário. Esse número foi caindo ao longo dos meses, passando para sete em janeiro, cinco em fevereiro e chegando agora a uma desvantagem de dois pontos.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-09285/2026.
Lula faz críticas aos EUA
Durante a mesma coletiva, Lula também fez críticas à atuação internacional dos Estados Unidos, especialmente em relação a países como Venezuela e Cuba. O presidente afirmou ser contrário a interferências externas e defendeu o princípio da autodeterminação dos povos.
“Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política de como a sociedade de um país tem que se organizar ou não. Cadê a autodeterminação dos povos? Direitos humanos? Cadê o respeito à carta da ONU?”, disse.
Ele também afirmou que cada país deve ter autonomia para definir seu próprio modelo político e social. “Quero que o Brasil se organize do jeito que a sociedade brasileira quiser. Ninguém pode se meter na nossa organização”, acrescentou.
Mais cedo, o presidente já havia feito críticas ao governo dos Estados Unidos e ao ex-presidente Donald Trump, além de buscar apoio da Alemanha em temas internacionais.