Lula sanciona lei do devedor contumaz: punições incluem bloqueio de CNPJ e proibição em licitações

Legislação busca identificar e penalizar os contribuintes que usam a inadimplência como estratégia comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nessa quinta-feira (8), a Lei Complementar nº 225/2026, que estabelece critérios rigorosos para a identificação e punição do chamado “devedor contumaz”.

A nova legislação, que teve como origem o PLP 125/2022, cria o Código de Defesa do Contribuinte e é vista pelo Palácio do Planalto como uma ferramenta fundamental para identificar empresas que usam a inadimplência tributária como estratégia comercial.

  

Lula sanciona lei do devedor contumaz: punições incluem bloqueio de CNPJ e proibição em licitações
Ricardo Stuckert / PR
   

O texto foi sancionado com alguns vetos (leia mais abaixo) e publicado na edição do DOU (Diário Oficial da União) desta sexta-feira (9).

De acordo com o texto sancionado, devedor contumaz é o contribuinte que possui débitos tributários injustificados equivalentes ou superiores a R$ 15 milhões e que representem mais de 100% do seu patrimônio conhecido.

Quem for classificado como devedor contumaz vai sofrer penalidades como:

Benefícios

A nova lei também introduz programas de cooperação e estímulo à conformidade fiscal, como o Confia e o Sintonia, que visam premiar os bons contribuintes com facilidades processuais.

A lei entra em vigor imediatamente, e a Receita Federal deve publicar nos próximos dias as instruções normativas para a criação do cadastro oficial de devedores contumazes.

Vetos

Permitia que o contribuinte substituísse depósitos judiciais por seguro-garantia ou outras garantias baseadas na sua capacidade de gerar resultados.

Razão do veto: o governo justificou falta de definição legal precisa, o que geraria riscos financeiros à União.

Previa a redução de até 70% de multas e juros moratórios, além de permitir o uso de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL para quitar até 30% da dívida restante.

Razão do veto: incompatibilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que não havia um limite temporal de cinco anos para a aplicação dos benefícios, o que aumentaria o gasto tributário da União sem compensação prevista.

Oferecia prazo de até 120 meses para a quitação de tributos.

Razão do veto: o Planalto afirmou que seria contra o interesse público ao conceder diferimento tributário por prazo superior a 60 meses sem atender aos requisitos legais da Lei Complementar nº 101/2000.

Definia critérios para considerar um contribuinte como tendo “capacidade de pagamento reduzida momentaneamente”.

Razão do veto: o governo entendeu que essa definição e a atribuição de competência à Receita Federal para discipliná-la são matérias de iniciativa exclusiva do presidente da República.

Autorizava o governo a estabelecer benefícios com base nos graus de classificação dos contribuintes.

Razão do veto: como os benefícios principais (do Art. 32) foram vetados, este trecho consequentemente também foi derrubado.