Oposição critica ‘pacote da bondade’ de Lula com subsídios e renegociação de dívidas

Medidas incluem desconto no diesel e no querosene de aviação, além de novo programa para endividados; adversários veem ‘desespero’

A seis meses das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um conjunto de medidas com potencial impacto no bolso do consumidor, em meio ao avanço da desaprovação ao Executivo. As propostas, que incluem desde renegociação de dívidas até subsídios para combustíveis, vêm sendo classificadas por adversários como um “pacote da bondade” com objetivo eleitoral.

Entre as principais iniciativas em estudo, está um novo programa de renegociação de dívidas, em meio ao alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta deve ter um modelo mais simplificado do que o Desenrola Brasil e pode oferecer descontos de até 80%. Dados do Banco Central indicam que cerca de 30% da renda das famílias está comprometida com o pagamento de débitos.

  
Oposição critica ‘pacote da bondade’ de Lula com subsídios e renegociação de dívidas Ricardo Stuckert
 
 
 

Raiz do problema

Para o economista Higor Rabelo, a medida pode aliviar a situação no curto prazo, mas não resolve o problema estrutural. “Por mais que, para a família, fiquem 20%, para as instituições é melhor recuperar parte do que perder totalmente esse dinheiro”, afirma.

Ele ressalta, no entanto, que o histórico de endividamento recorrente tende a encarecer o crédito, criando um ciclo contínuo. “O programa ataca o sintoma, mas não resolve a causa, como juros altos, baixo poder de compra e falta de educação financeira”, acrescenta.

Impacto nos combustíveis

No setor de combustíveis, o governo incluiu medidas voltadas ao querosene de aviação, com a redução de tributos para tentar conter o impacto da alta do petróleo sobre o preço das passagens aéreas. A equipe econômica decidiu zerar impostos federais sobre o combustível e compensar a perda de arrecadação com o aumento de tributos sobre cigarros.

Já em relação ao diesel, o governo prepara uma medida provisória para subsidiar o combustível, com desconto estimado em R$ 1,20 por litro do produto importado. A proposta teria validade de 60 dias e custo aproximado de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.

O cientista político Magno Karl avalia que o plano de compensar erros de gestão com sinalizações redistributivas é antigo na política brasileira, mas nem sempre funciona.

“A escala 6x1 tem apelo emocional relevante, especialmente junto ao eleitorado de base do PT, mas não resolve o problema da maioria dos brasileiros, que hoje se encontra trabalhando no mercado informal, nem da baixa credibilidade econômica que a taxação das blusinhas e outras medidas recentes criaram. São públicos e lógicas diferentes”, avalia.

Críticas ao governo

Nas redes sociais, parlamentares de oposição intensificaram as críticas ao pacote e à condução econômica do governo.

A deputada Rosângela Moro afirmou que a população não busca medidas pontuais, mas sim um “país que funcione, com segurança eficiente e economia estável”. Ela acrescentou que o governo estaria em “modo desespero”.

Já o deputado Nikolas Ferreira associou o momento político ao desgaste do governo e criticou o PT. Na publicação, disse que “ninguém aguenta mais” o partido e mencionou mobilização voltada ao eleitorado jovem.

O deputado Gustavo Gayer, por sua vez, informou ter acionado o TCU (Tribunal de Contas da União) para investigar possíveis irregularidades em estatais federais. Ele também pediu esclarecimentos ao governo sobre governança, garantias e medidas para conter prejuízos nas empresas públicas.

O senador Jorge Seif, por fim, criticou gastos do Executivo, afirmando que, em 18 dias, o governo teria desembolsado mais de R$ 107 milhões com viagens. Segundo o parlamentar, o cenário contrasta com a realidade de brasileiros que enfrentam endividamento e perda de poder de compra.