Qual governo acolheu o maior número de refugiados da Venezuela: Lula ou Bolsonaro? veja dados

Fluxo migratório, pandemia de Covid-19 e regularização ajudam a explicar os números ao longo dos anos

O tema da migração voltou ao centro do debate público brasileiro diante do agravamento das tensões políticas e econômicas na Venezuela e do aumento da pressão migratória na região. Em meio a esse cenário, a discussão sobre qual governo brasileiro acolheu mais venezuelanos — o de Jair Bolsonaro ou o de Luiz Inácio Lula da Silva — tem ganhado contornos políticos, inclusive com reflexos no debate eleitoral projetado para 2026.

Em números absolutos, mais venezuelanos entraram no Brasil durante o atual mandato de Lula: 542.590 contra 507.860 nos quatro anos de governo Bolsonaro. Os dados oficiais, no entanto, indicam que a resposta brasileira ao fluxo venezuelano não pode ser atribuída exclusivamente a uma única gestão.

  

Qual governo acolheu o maior número de refugiados da Venezuela: Lula ou Bolsonaro? veja dados Reprodução

   

Desde 2017, quando a migração se intensificou, quase 1,4 milhão de venezuelanos entraram no Brasil. No mesmo período, 654 mil deixaram o país, o que resulta em um saldo migratório de 743.568 pessoas que efetivamente permaneceram em território nacional. 

Esse saldo é o principal indicador para dimensionar a política de acolhimento, mais relevante do que o número bruto de entradas, já que parte expressiva dos migrantes segue viagem para outros destinos.

A maioria dos venezuelanos que permaneceu no país buscou regularização. Até outubro de 2025, foram 738.988 CPFs emitidos para cidadãos da Venezuela e 619.979 autorizações de residência concedidas, entre temporárias e por prazo indeterminado.

No campo do refúgio, o Brasil reconheceu 148.505 venezuelanos como refugiados, enquanto 281.017 pedidos ainda aguardam análise.

Apenas em 2025, 7.228 venezuelanos tiveram o status de refugiado concedido, mantendo a Venezuela como a principal nacionalidade atendida pelo sistema brasileiro de refúgio.

Esses números são operacionalizados pela Operação Acolhida, criada em 2018 e mantida ao longo de diferentes governos, o que reforça seu caráter de política de Estado.

A iniciativa se baseia em três pilares: controle de fronteira, com triagem e documentação; acolhimento, por meio de abrigos emergenciais; e interiorização, que transfere migrantes voluntariamente para outras cidades do país, ampliando as chances de inserção econômica e social.

Ao comparar os governos, o contexto internacional é determinante. Durante a gestão Bolsonaro (2019–2022), houve forte entrada de venezuelanos em 2019 e novamente em 2022. Em 2020 e 2021, os números despencaram em razão do fechamento de fronteiras imposto pela pandemia de Covid-19, e não por uma inflexão específica da política migratória.

No governo Lula (2023–2025), o fluxo voltou a se manter elevado, ainda que com leve queda progressiva ano a ano, refletindo mudanças no cenário regional e no próprio perfil da migração.

Outro indicador relevante de integração é a naturalização brasileira. Após a retração observada durante a pandemia, o país registrou 9.120 naturalizações em 2023 e 13.350 em 2024, o maior patamar da série histórica, sinalizando que parte dos imigrantes avança para etapas mais definitivas de permanência no país.

O conjunto dos dados mostra que o acolhimento de venezuelanos no Brasil não foi exclusividade de um governo de direita ou de esquerda, mas resultado de uma política continuada, atravessada por crises externas como a pandemia. 

O saldo de mais de 743 mil venezuelanos vivendo hoje no país evidencia que o Brasil não apenas recebeu, mas incorporou uma parcela significativa dessa população.