📲 Siga o A10+ no Instagram, Facebook e Twitter.
*Por Ana Júlia, estagiária sob supervisão de Marcelo Gomes
O Antena Rural apresentou a Horta Comunitária do bairro Bacuri, no município de Palmeirais, localizado a 117 quilômetros de Teresina. O espaço é dedicado à agricultura familiar, com conhecimentos e práticas de cultivo transmitidos de geração em geração. Atualmente, cerca de 16 famílias utilizam a horta como fonte de subsistência e renda, por meio da venda dos produtos cultivados.
“Quando eu cheguei aqui, era uma mata virgem. Começou com pequenos canteiros, sem irrigação. Não tínhamos acesso à água, precisávamos pegar no cadoz. Mas, com as mudanças, pouco a pouco, já temos um poço e uma estufa. Para os nossos olhos, nós estamos grandes”, conta Antônia Maria dos Santos, agricultora da horta.
Segundo Antônia, 16 famílias estão cadastradas na horta. Os produtos são vendidos em feiras locais e também utilizados para consumo próprio. Ela destaca que o cultivo é realizado sem o uso de agrotóxicos.
“O amor que tenho por isso daqui é imenso, é como se fosse o amor que tenho pelos meus filhos. Porque aqui foi onde criei eles, e agora crio os meus netos”, relata Antônia, ao falar sobre a importância da horta para sua família e o carinho que sente pelo espaço.
Horta prioriza a produção de alimentos naturais
A agricultora Maria dos Remédios Silva explica como são realizados o preparo da terra, o plantio e a colheita. Ela reforça que não são utilizados agrotóxicos e conta que as agricultoras adotaram o pó de enxofre para auxiliar no controle de pragas.

“Nós prepara a terra, deixa ela bem cortadinha, aí coloca o esterco de gado ou de bode e aí, depois de tudo, a gente vai para aquele processo de espalhar todas as sementes no chão. Depois repetimos esse processo e vamos fazendo as levas e botando dentro, depois vai só cobrindo. Tudo sem agrotóxico, a gente não usa nada”, explica a agricultora.
Horta comunitária sustenta famílias há quase 30 anos
Com quase três décadas de história, a Horta Comunitária de Palmeirais se tornou uma importante fonte de sustento para 16 famílias. Além de garantir alimentos para o consumo próprio, a produção de hortaliças contribui para a renda dos trabalhadores por meio da comercialização.
A horticultora Eldina, que também participa da iniciativa, fala sobre a relação com o cultivo e os benefícios da atividade em sua vida.
“Pra mim me faz muito bem, porque eu gosto muito de cuidar das coisas, das plantas da minha casa”, afirma.
Procura por mastruz cresceu após a pandemia
Antônia Maria conta que, após a pandemia de Covid-19, a procura pelo mastruz aumentou significativamente na horta. A planta passou a ser ainda mais buscada por pessoas interessadas em suas propriedades medicinais.
“O mastruz é muito procurado, ele é uma planta medicinal. Ele é antibiótico, como também ajuda nos pulmões e ajuda também em ferimentos. Aqui a gente cultiva bastante o mastruz. Na época da COVID ninguém conseguia, porque todo mundo queria um litro de mastruz, até aqui na horta era difícil de encontrar”, relata.

As horticultoras destacam que a horta vai além da produção de alimentos. O espaço representa sustento, tradição, aprendizado e uma relação afetiva construída ao longo dos anos entre as famílias e a terra.
“Essa terra significa pra mim um orgulho muito grande, porque nós sem essa terra não somos nada, porque aqui é onde a gente planta a sementinha pra germinar, e aí vai surgindo as plantas”, afirma Maria dos Remédios.
Antônia também ressalta o vínculo das agricultoras com o local e a importância de preservar essa relação com o cultivo.
“É muito amor por isso aqui. E vai chegar uma hora que quem não tem o amor pela semente, ele vai chorar e olhar e procurar terra pra plantar. Então eu acredito que esse amor por essa horta não é só eu que tenho, mas as famílias que estão aqui devem sentir o mesmo amor que eu também”, conclui.
Fonte: Portal A10+