Hospital São Marcos afirma que precisa de mais de R$ 4 milhões por mês para retomar atendimentos oncológicos no Piauí: "Estamos há anos apelando" - Balanço Geral Piauí
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EM TERESINA

Hospital São Marcos afirma que precisa de mais de R$ 4 milhões por mês para retomar atendimentos oncológicos no Piauí: "Estamos há anos apelando"

Diretor técnico também respondeu às declarações recentes do prefeito de Teresina, que questionou a gestão dos recursos do hospital


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Atualizada às 15h45

O Hospital São Marcos, em Teresina, suspendeu desde a última sexta-feira (3) o recebimento de novos pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi anunciada pela direção da unidade, que alega grave crise financeira e afirma não ter recursos suficientes para manter a assistência oncológica com o atual modelo de financiamento.

Durante entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (6), o diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, afirmou que a instituição opera com um orçamento anual de aproximadamente R$ 72 milhões, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões por mês. Segundo ele, o custo real de funcionamento supera R$ 120 milhões por ano, o que torna necessária uma complementação de cerca de R$ 4,5 milhões mensais para garantir o atendimento.

  

Hospital São Marcos suspende novos atendimentos oncológicos pelo SUS TV Antena 10

   

"O São Marcos precisa de um contrato que assegure tranquilidade financeira para continuar prestando o serviço necessário à população piauiense", declarou.

A direção destacou que o Hospital São Marcos é o único Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do Piauí, habilitado para tratar todos os tipos de câncer pelo SUS.


Segundo Marcelo Martins, a instituição, fundada em 1953, presta assistência à população de baixa renda desde antes da criação do SUS, em 1988, e atualmente gera cerca de 2.500 empregos diretos.

Ele explicou ainda que os atendimentos realizados por planos de saúde ajudam a custear os serviços prestados aos pacientes do SUS, já que a tabela de remuneração do sistema público seria insuficiente para cobrir os custos da assistência.

Durante a coletiva, o diretor criticou a falta de apoio financeiro por meio de emendas parlamentares.

  

Marcelo Martins também respondeu às declarações recentes do prefeito de Teresina TV Antena 10

   

Segundo ele, apesar de o hospital receber algumas emendas federais, os valores são considerados insuficientes diante da dimensão dos serviços prestados. Em relação às emendas estaduais, afirmou não se lembrar da última vez em que a unidade recebeu recursos.

"Estamos há anos apelando à Secretaria de Saúde, ao Ministério Público, à Assembleia Legislativa e à bancada federal, mas nunca recebemos uma solução concreta", afirmou.

A direção ressaltou que emendas parlamentares costumam ser destinadas a investimentos específicos e não resolvem o problema do custeio permanente da unidade.

Resposta às críticas da Prefeitura

Marcelo Martins também respondeu às declarações recentes do prefeito de Teresina, que questionou a gestão dos recursos do hospital. Sem entrar em embate político, o diretor afirmou que as respostas estão respaldadas por pareceres técnicos elaborados por uma empresa especializada em custos hospitalares.

Ele destacou ainda que a discussão sobre quem deve gerir a assistência oncológica, Prefeitura de Teresina ou Governo do Estado, cabe aos gestores públicos, mas defendeu que o essencial é garantir um contrato compatível com a complexidade dos serviços prestados.

Maioria dos pacientes é do interior

De acordo com o hospital, 59% dos pacientes atendidos são oriundos de municípios do interior do Piauí. Já do Maranhão, apenas 27 municípios encaminham pacientes para tratamento na unidade.

A direção informou ainda que o financiamento da alta complexidade é tripartite, envolvendo recursos da União, do Estado e do município onde o hospital está localizado.

Empréstimo para manter atendimento

Para evitar a interrupção dos tratamentos já iniciados, o Hospital São Marcos informou que negocia uma linha de crédito emergencial para garantir a compra de medicamentos e insumos pelas próximas três semanas.

Segundo Marcelo Martins, o objetivo é manter o atendimento dos pacientes que já estão em tratamento enquanto aguarda uma solução definitiva para a crise financeira.

"Estamos tentando ganhar tempo. Não quero acreditar que os gestores públicos permitirão que um estado de calamidade se instale na assistência oncológica do Piauí", concluiu.

Fonte: Portal A10+


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