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Bianca Leite deu um relato emocionado à TV Antena 10 nesta quarta-feira (06) sobre o ciclo de violência que afirma ter vivido por 15 anos com José Alves da Costa Filho, em Teresina. O caso veio à tona após o homem ser preso no dia 3 de maio, depois de agredir a companheira na calçada de casa. A violência foi registrada por câmeras de segurança.
Segundo as informações, durante a ação policial no bairro Dirceu, zona Sudeste da capital, o homem ainda resistiu à abordagem. Bianca afirma que, mesmo com a prisão, continua sendo ameaçada e teme por sua segurança caso ele seja solto.

O relacionamento, de acordo com a vítima, foi marcado por agressões constantes e ameaças ao longo de mais de uma década. O casal tem dois filhos, que também teriam sido vítimas de violência. Um deles chegou a sofrer uma luxação no braço.
“Tenho muito medo. Se eu não fazia nada, ele já dizia que eu ia pagar. Imagina agora que eu fiz alguma coisa. Então, com toda certeza, ele vai sair, vai dizer para a família que não vai mais atrás, mas vai fazer eu pagar por isso. Ele sempre dizia que eu ia pagar. Ele falava: ‘Tu vai me pagar. Tu vai me pagar e eu vou te ensinar direitinho. Tu vai ver como é que a banda toca’”, disse Bianca.
A vítima também relatou que vivia sob forte dependência emocional e psicológica, o que dificultava o rompimento da relação, além de constantes humilhações e ameaças sobre seu futuro.
“Existe o medo, a dependência emocional era muito grande. Ele dizia que eu ia ficar ferrada, igual à minha mãe e à minha irmã, que eu ia ter uma vida lascada, que eu ia ficar rodada. A expressão dele era que eu ia ficar rodada, que depois eu ia dar valor ao marido que perdi. E eu achava que realmente ia perder, que ia viver uma vida separada, porque minha mãe é separada e minha irmã também é. Ele dizia muito isso para mim, que eu ia me lascar, que ele ia me lascar, que eu ia ficar sozinha. E eu sempre tive medo de passar fome, de passar necessidade, de não conseguir trabalhar, porque, por conta da dependência emocional que eu tinha dele, eu não conseguia fazer nada. E olha que eu ainda tentava levantar as vendas, fazia o meu máximo dentro da empresa. Quem me conhece sabe que eu chegava muito roxa, muito machucada, e ainda assim tentava vender”, contou muito emocionada.
Ela contou ainda que, em diversos momentos, precisou se esconder dentro de casa com os filhos para evitar novas agressões. Segundo Bianca, o agressor tinha comportamentos violentos frequentes, especialmente quando retornava de saídas.
“Eu falava: ‘Eu não consigo fazer nada, não consigo trabalhar, não consigo comer. Eu estou indo para o hospital tomar medicação na veia’. E ele disse para mim: ‘Tu pode tomar veneno, desgraça, e morrer’. Mas ele nunca parou, nem com as traições, nem com as saídas. E quando ele saía e voltava, eram piores as confusões. Na sexta-feira passada, ele havia passado quinta e sexta sumido. E eu tinha que estar em casa quando ele chegasse, porque, se eu não estivesse, eu seria uma sem-vergonha, safada, no meio da rua. Quando ele chegava, eu já me trancava, colocava um balde dentro do quarto para fazer xixi com os meninos e deixava água. Trancava porque a porta só abre por dentro, é de aço. Eu dizia para os meninos ficarem em silêncio. Quando ele chegava, eu ligava a televisão e fingia que estava dormindo. No outro dia, ele fingia ser um pai bom. E ele não queria que eu dissesse nada. Eu não podia dizer nada”, contou.
Em outro trecho, a vítima destacou que, apesar de tudo, ainda nutria esperança de mudança no comportamento do companheiro, o que a fez permanecer no relacionamento por tanto tempo. Ela também relatou o impacto da violência sobre os filhos.
“Eu não queria fazer mal nenhum para ele. A dona Madalena não merecia isso, a minha sogra. Eu juro, eu juro. Eu não ia fazer nada. Nunca quis prejudicá-lo. Eu só queria que ele fosse um bom marido, um bom homem. Eu rezava para que São José pudesse mudá-lo. E agora não tem mais volta, e eu estou com medo. Eu estou com medo. Não tem mais volta. Acho que ele vai fazer eu pagar por tudo o que está acontecendo com ele. Tenho certeza. Meus filhos pediam muito para ele não me bater. Eles começaram a não querer ir para a casa da minha sogra, porque ela não acreditava. Dizia que o filho dela não era um monstro. A revolta do meu filho era muito grande. Ele se trancava no quarto porque não aguentava mais. Desde muito pequeno ele via tudo. Todo mundo sabia na empresa onde eu trabalhava, as pessoas na rua. Não tinha como negar”, relatou.
De acordo com informações da polícia, no momento da prisão o homem entrou em luta corporal com os agentes, chegando a danificar equipamentos utilizados na ocorrência. Foi necessário o uso de spray de pimenta para contê-lo e imobilizá-lo.
Bianca também relatou episódios anteriores de violência envolvendo outras pessoas, incluindo um amigo que teria sido agredido pelo suspeito após defendê-la.
“Uma vez ele espancou um amigo meu, quebrou a porta do quarto, e disse que o Rony foi para cima dele, mas, na verdade, ele só tinha dito para ele bater em um homem, não em mim. Mesmo assim, ele espancou o Rony, que não tinha força para se defender. A gente se escondeu no mato, eu e meus filhos”, disse.
Por fim, a vítima contou que um dos filhos também foi alvo de agressões, motivadas por preconceito e homofobia.
“Ele me batia por causa do Benjamim. Dizia que eu era culpada pelo jeito do Benjamim, porque ele era ‘baitola’. A criança só tem oito anos, não sabe nem o que é sexualidade. Com três anos, meu filho começou a brincar de boneca, de Barbie, e a cor preferida dele é rosa. E, com três anos, ele bateu tanto no Benjamim por causa dessa boneca, jogou no teto e luxou o braço dele. Desde então, meu filho só queria a aprovação e o amor do pai. Ele passou a dizer que a cor preferida dele era azul, mas nunca foi. E ele dizia que a culpa era minha”, contou Bianca.
Como forma de enfrentamento à violência doméstica, a polícia reforça a importância de denunciar casos de agressão. Vítimas ou testemunhas podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180, que funciona 24 horas por dia em todo o país, além do 190, da Polícia Militar, em situações de emergência. As denúncias podem ser feitas de forma anônima e são fundamentais para interromper ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas.
Fonte: Portal A10+