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O delegado Humberto Mácula deu mais detalhes à TV Antena 10 sobre a Operação Chip Falso, deflagrada nesta quarta-feira (15), que teve como objetivo desarticular uma associação criminosa especializada na prática de fraudes eletrônicas e invasões de sistemas informáticos. Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 30 mandados judiciais e prendeu 10 pessoas em Teresina.
Segundo o delegado, a organização criminosa atuava invadindo sistemas de segurança de operadoras de telefonia para alterar, de forma fraudulenta, a titularidade de linhas telefônicas. A partir desse controle, os criminosos conseguiam acessar contas bancárias, redes sociais e outros serviços vinculados ao número da vítima.

"Eles conseguiam entrar no sistema de segurança dos operadores de telefonia e mudavam a titularidade de uma pessoa, de um cliente legítimo, sem autorização dele, para o criminoso. Então, nós temos vítimas no Brasil inteiro, cerca de 50 vítimas no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, que eles articulavam aqui em Teresina; conseguiam fazer essa mudança de titularidade e, a partir daí, aplicavam outros golpes, como cartão de crédito, invasão de contas bancárias, eles conseguiam adquirir as contas de WhatsApp, de Instagram", afirmou o delegado Humberto Mácula.
Mácula explicou ainda como as vítimas percebiam que haviam sido alvo da fraude. De acordo com ele, a perda repentina do sinal telefônico era o primeiro indício de que o número já havia sido transferido para o controle dos criminosos.
"Você estava na sua tranquilidade, na sua rotina e, de repente, você perdia o sinal da sua conta, perdia a sua linha telefônica, tentava acessar os seus aplicativos, não conseguia; quando você entrava em contato com o operador, a sua linha estava na detenção de outra pessoa, de um criminoso que estava se passando por você, que estava conseguindo os códigos de verificação de duas etapas, conseguia se apossar do seu WhatsApp, do seu Instagram, da sua conta bancária", explicou o delegado.
As investigações continuam e, segundo o delegado, a Polícia Civil já trabalha para identificar outros integrantes da organização criminosa, inclusive em outros estados. A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas à medida que as apurações avancem.
"Conseguimos efetuar essas prisões, as investigações continuam, outras pessoas estão sendo investigadas, estamos já entrando em contato com essas vítimas em outros estados brasileiros, justamente para suprimir essa quadrilha, esse grupo criminoso que atuava aqui em Teresina, com repercussão nacional. Esse braço aqui em Teresina era responsável justamente por conseguir essa mudança de titularidade. Outras pessoas estão sendo investigadas, inclusive fora do estado do Piauí, com outros braços logísticos. É uma verdadeira organização criminosa, a investigação está trazendo todo esse tipo de evidência, e nós vamos conseguir outras fases dessa operação, inclusive com personagens ainda que estão sendo apurados, estão sendo revelados, graças a essa primeira fase", contou.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais também encontraram diversos equipamentos eletrônicos e identificaram um imóvel que, segundo a investigação, era utilizado para recrutar pessoas que forneciam dados biométricos usados nas fraudes.
"Dentro da casa encontramos um vasto número de celulares, notebooks e, nessa casa, que inclusive eram feitas festas para abordar essas pessoas, para que entregassem seus dados, cerca de 100 pessoas, 120 pessoas entregaram seus dados para serem utilizados nesse crime, nesse grupo criminoso, estão sendo chamados, intimados para prestar esclarecimentos e saber por que as suas biometrias faciais, seus rostos, as selfies, estão constando nesses sistemas utilizados indevidamente, sem autorização das vítimas e sem o conhecimento, inclusive, das empresas", informou o delegado.
O delegado também revelou que o grupo utilizava ferramentas de inteligência artificial para tornar as fraudes mais convincentes. A tecnologia era empregada para modificar imagens e aumentar a semelhança entre os participantes do esquema e as verdadeiras vítimas.
"A inteligência artificial era usada tanto para modificar o fundo da selfie, para não parecer que sempre era na mesma casa, como para forjar e apurar mais a fisionomia das pessoas que faziam a selfie para que se parecessem com os clientes legítimos daquelas empresas", pontuou o delegado.
Operação Chip Falso
A Polícia Civil do Piauí deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Chip Falso, que desarticulou uma associação criminosa estruturada na prática de fraudes eletrônicas e invasões de sistemas informáticos e prendeu 10 pessoas em Teresina.
A operação foi coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), e cumpriu 30 mandados judiciais. Além de prisões, os policiais apreenderam aparelhos celulares e computadores.
Fonte: Portal A10+