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No laboratório de robótica, a tecnologia ganha forma pelas mãos dos estudantes. Entre fios, sensores e muita criatividade, eles desenvolvem projetos que ajudam a compreender, na prática, como a ciência pode contribuir para um futuro mais sustentável. Um dos destaques é o rastreador solar, um sistema que simula o funcionamento de placas solares inteligentes, capazes de acompanhar a movimentação do sol ao longo do dia para aumentar a eficiência na geração de energia.
O estudante Lucas Gabriel explica que a proposta busca otimizar a produção energética, reduzindo a necessidade de instalação de um grande número de placas e diminuindo os custos do sistema.

"A placa, diferentemente das placas fixas sobre as casas, vai se mover. O servomotor vai ser responsável por esse movimento. Ele vai mover o eixo da placa, melhorando a produção da placa em 40%, aumentando, em si, a produção da placa, diminuindo o número de placas sobre uma casa e a sobrecarga sobre os suportes que serão colocados sobre a casa. Aumentará a quantidade de energia produzida, diminuindo o número de placas e melhorando, em si, o custo-benefício e o uso das placas", disse Lucas Gabriel, estudante.
Se a luz do sol é uma importante fonte de energia limpa, o vento também pode ser um grande aliado na busca por alternativas sustentáveis. Pensando nisso, outro grupo de alunos criou um projeto que demonstra como a força dos ventos pode ser transformada em eletricidade por meio de conceitos aplicados de energia eólica.
Mais do que montar equipamentos e programar sistemas, os estudantes aprendem conteúdos que envolvem diferentes áreas do conhecimento. Física, Química, Matemática, História, Língua Portuguesa e Tecnologia se encontram dentro do laboratório, transformando a teoria em experiências práticas voltadas para a solução de desafios reais da sociedade.
Segundo o professor Antônio Rodrigues, os projetos desenvolvidos estimulam uma formação interdisciplinar, mostrando aos alunos que os avanços tecnológicos estão diretamente ligados a processos históricos, científicos e sociais.
"Além de ensinar Física, aplicar Física e Robótica, a gente aplica Português, História, Química e, hoje, Inteligência Artificial. Porque o alunado precisa entender e comprovar que todo esse processo tecnológico hoje usado passou por um contexto histórico. Então, antes de aplicar qualquer projeto, a gente, por exemplo, tem que lidar com a história", falou Antônio Rodrigues, professor.

A integração entre os projetos de energia solar e energia eólica deu origem a uma terceira iniciativa. A proposta reúne os conhecimentos adquiridos nas duas experiências anteriores para desenvolver uma solução voltada à agricultura familiar, utilizando energia renovável e automação para melhorar a produção no campo.
A estudante Heloísa Rocha explica que o projeto foi pensado para atender às necessidades dos pequenos produtores rurais, reduzindo custos, aumentando a produtividade e promovendo o uso consciente dos recursos naturais.
"Visando à nova lei instituída aqui no Brasil, onde 45% da produção de alimentos in natura fornecidos para as escolas brasileiras vem de pequenos agricultores, a gente pensou em criar esse projeto para facilitar um aumento da viabilidade de renda, do aumento da produção e evitar gastos com energia, custos muito altos, além também do desperdício de água, que, com o trabalho manual, muitas vezes não se tem aquela contabilidade. Então acaba que uma planta vai ter mais água, a outra planta não vai, e não vai ter essa distribuição correta, essencial, o que vai acabar desperdiçando muita água", explicou a estudante Heloísa Rocha.
Para colocar a tecnologia à prova, os alunos saem da sala de aula e do laboratório e levam os experimentos para a horta da própria escola. No local, eles acompanham o funcionamento dos equipamentos e observam, na prática, os impactos da automação no cultivo das plantas.
Lucas Gabriel destaca que o sistema de irrigação autônomo tem apresentado resultados positivos, tornando o processo mais eficiente e reduzindo a necessidade de intervenção manual.

"As melhorias em si são bem perceptíveis. A gente tem o nosso sistema de irrigação autônomo, totalmente automático, com o Arduino e o nosso sensor de umidade. O sensor de umidade manda o sinal para o Arduino. Quando a umidade não é detectada, o Arduino interpreta o sinal, manda para a bomba, e a bomba começa a irrigação com esses bicos ejetores de água, liberando a água para a planta. A quantidade ideal para uma irrigação totalmente autônoma, sem precisar daquela fadiga de ir lá e irrigar a planta manualmente", contou Lucas Gabriel.
Mais do que aprender sobre programação, circuitos e inovação, os estudantes desenvolvem habilidades que podem ser aplicadas ao longo de toda a vida. O contato com a tecnologia e a inteligência artificial estimula o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolver problemas reais.
Para Heloísa Rocha, a robótica representa uma ferramenta capaz de conectar conhecimento e transformação social, preparando os jovens para enfrentar os desafios do presente e do futuro.
"Quando a gente liga uma coisa que está bastante presente agora, que é o uso da tecnologia, da inteligência artificial, a um problema que precisa ser resolvido, nós, como estudantes, aprendemos a resolver aquele problema de uma forma em que estamos nos adaptando a tudo o que envolve o uso da robótica, da inteligência artificial e da tecnologia. Então, vai ser uma porta para que a gente resolva não só o problema da sustentabilidade, mas também outros problemas sociais", finalizou a estudante.
Fonte: Portal A10+