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O governo federal anunciou recentemente a concessão de isenção de vistos de curta duração para cidadãos chineses, medida tomada em reciprocidade à política chinesa que já permitia a entrada de brasileiros sem visto desde junho de 2025 e que foi estendida até o fim de 2026.
Embora o formato e as regras da isenção ainda não tenham sido detalhados pelo governo brasileiro, a medida pode ter efeito positivo sobre turismo e viagens de negócios, mas exige atenção a mecanismos de controle migratório e fiscalização.

A avaliação é do professor João Alfredo Lopes Nyegray, doutor em internacionalização e professor de Geopolítica e Negócios Internacionais da PUC-PR. Segundo ele, a isenção tende a gerar um efeito positivo no fluxo de viagens ao Brasil, mas sem provocar mudanças imediatas ou automáticas.
“Vistos funcionam como custos de transação. Quando são reduzidos, a circulação aumenta, especialmente em viagens de negócios, missões empresariais e deslocamentos de curta duração, que são mais sensíveis a burocracias”, explica.
De acordo com o especialista, o impacto mais rápido deve ser percebido no turismo corporativo, como feiras, visitas técnicas e negociações presenciais.
Já no turismo de lazer, especialmente considerando a distância entre Brasil e China, o crescimento tende a ser gradual e depende de outros fatores, como conectividade aérea, estratégias de promoção internacional e infraestrutura turística adequada ao público chinês. “A isenção não cria sozinha uma explosão de fluxo, mas remove um gargalo importante”, ressalta.
No campo econômico, Nyegray avalia que a medida funciona mais como um facilitador estratégico do que como um gatilho direto para novos investimentos. “Relações econômicas densas exigem presença física. Ao reduzir barreiras à mobilidade, o Brasil melhora seu ambiente de negócios para parceiros chineses”, argumenta.
Os efeitos mais imediatos, segundo ele, devem aparecer em comércio, serviços ligados a negócios internacionais, logística, eventos empresariais e educação.
Apesar dos possíveis ganhos, o professor alerta para riscos associados ao controle migratório, especialmente em um cenário de aumento do fluxo de visitantes. Entre os principais pontos de atenção, estão o uso indevido do status de visitante, permanências além do prazo autorizado e a entrada de mercadorias com finalidade comercial sob a alegação de uso pessoal — o que pode pressionar a fiscalização aduaneira e distorcer a concorrência interna.
Para que a isenção produza resultados positivos líquidos, Nyegray defende que a política seja acompanhada de regras claras e mecanismos complementares de governança migratória, como triagem digital prévia, integração de dados com companhias aéreas e cooperação bilateral em matéria consular.
“Facilitar a mobilidade exige um Estado capaz de administrar essa abertura de forma inteligente”, resume.
Quais viagens passam a ter isenção de visto
A isenção anunciada não se aplica a todas as modalidades de entrada. Segundo o governo brasileiro, ela será válida para viagens de até 30 dias, exclusivamente nas seguintes categorias:
- Turismo, incluindo lazer e atividades recreativas;
- Negócios, como reuniões, feiras, congressos e eventos profissionais sem vínculo empregatício;
- Visita a familiares ou amigos residentes no Brasil
- Intercâmbio cultural ou educacional de curta duração, sem finalidade de residência ou trabalho;
- Trânsito internacional, em conexões aéreas no território brasileiro.
Vistos para trabalho, residência, estudo de longa duração ou atividades remuneradas continuam sujeitos à autorização consular, conforme a legislação migratória brasileira.
Fonte: R7