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Por Álvaro Fernando Mota, advogado e procurador do Estado
Um amigo uma vez me disse uma frase despretensiosa: sob o ponto de vista do Planeta Terra, a única maneira de jogar lixo fora é mandá-lo para o espaço. Como é caro demais nos livramos de bilhões de toneladas de resíduos que produzimos, a saída mais lógica é gerar menos, reciclar e reusar mais, porque não há plano B na natureza e o planeta que vivemos é o único até aqui conhecido com as condições de nos abrigar como parte de todos os seus ecossistemas.
Ante à constatação de que o planeta é um conjunto heterogêneo de biomas, relevos, climas e sistemas hidrológicos, e na inexistência de um substituto imediato, o que fazer? A pergunta não é simples porque as respostas a ela são diversas, complexas e nem sempre pacificadas quando apontadas como soluções.

A pergunta, porém, traz em si a possibilidade de uma discussão acerca do que cada um pode fazer na busca que deve ser comum para a preservação, a conservação e, em casos cada vez mais recorrentes, de reabilitação de ambientes naturais degradados pela ação humana, Tarefa que pode e deve ser feita no entorno de onde estamos - ou seja, o esforço global para garantir a Terra às futuras gerações deve ser uma soma de trabalhos de todos e em todos os lugares.
Assim, é adequado que prestemos atenção no que ocorre ao alcance de nossa visão ou no lugar que moramos - seja a cidade, a região, o Estado, no nosso caso, o Piauí, uma vastidão de terras com 250 mil quilômetros quadrados, com uma das mais importantes bacias hidrográficas do país, quatro biomas entrelaçados (Caatinga, Cerrado, Mata de Cocais e Mata Atlântica, além da faixa de manguezal na costa litorânea), reservas hídricas subterrâneas subestimadas…
Se nós detivéssemos apenas em cuidar da Bacia Hidrográfica do Parnaíba, estaríamos falando de uma área de 344,1 mil quilômetros quadrados - 75% deles em território piauiense, 20% no lado esquerdo do rio Parnaíba, o Maranhão, e 5% no Ceará, onde nasce o rio Poti, um dos principais afluentes do rio que o poeta Da Costa e Silva apelidou de "Velho Monge" em seu poema "Saudade".
A preservação da bacia hidrográfica do Parnaíba, sobretudo na nossa terra querida, o Piauí, pode e deve ser encarada como parte do que precisam ser esforços globais de conservação, preservação e recuperação de áreas naturais degradadas. O rio no lado piauiense tem importantes sub-bacias: Uruçuí Preto, Uruçuí Vermelho, Gurguéia, Canindé, Piauí, Longá e Poti.
Cuidar, conservar, preservar e recuperar matas ciliares, nascentes e lagoas ao longo do Parnaíba, de seus afluentes e subafluentes é um passo fundamental para garantir que todos os biomas já citados também sejam alvo de ações preservacionistas, conservacionistas e de recuperação - o que é garantia de solos não degradados, de possibilidade de exploração econômica racional e dinâmica dos ativos naturais, bem como se contribuição necessária ao equilíbrio climático global.
Temos diante de nós, para além do desafio de conservação e preservação da bacia hidrográfica do Parnaíba - e, portanto, dos biomas nela inseridos - a possibilidade de trabalhar nesse processo como uma oportunidade para desenvolvimento socioeconômico ambientalmente sustentável. Significa atuar para que atividades agropastoris sigam sendo feitas com boas taxas de rendimento causando cada vez menos impactos ao meio ambiente, mas, mais do que isso, pode representar essa uma chance de usar a natureza como fonte de ganhos para todos - seja por saúde, por ar, água, solo e alimentos não contaminados e por ativos naturais monetizados em favor das comunidades.