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A Polícia Militar do Piauí informou nesta segunda-feira (31) que vai apurar a conduta dos policiais envolvidos em uma abordagem ocorrida no fim de semana, na zona Sul de Teresina, após imagens da ação repercutirem nas redes sociais. No vídeo, policiais aparecem imobilizando e agredindo um homem dentro de um estabelecimento comercial, que ele era o proprietário. A esposa dele também aparece nas imagens tentando impedir a abordagem.
Segundo a proprietária do estabelecimento, Daniela, o homem estava trabalhando no local quando foi abordado pelos policiais. De acordo com o relato publicado por ela nas redes sociais, os militares teriam chegado ao estabelecimento à procura de um homem descrito como alto e moreno, que seria suspeito de envolvimento em uma confusão ocorrida em um bar próximo. O marido dela, segundo Daniela, teria sido confundido com o suspeito e informado de que seria conduzido à Central de Flagrantes.
"Os policiais já chegaram com essa informação de procurar essa terceira pessoa alta e moreno. O meu esposo tava na porta do estabelecimento, quando eles simplesmente chegaram dizendo que ele iria ser autuado por estar agredindo e bagunçando o bar [...] os policiais já chegaram acusando, dizendo que ele iria ser conduzido pra Central de Flagrante”, disse.
Ainda conforme o relato da proprietária, o homem teria questionado a condução por não entender o motivo da abordagem. Ela afirma que, a partir desse momento, a situação ficou mais agressiva e que outros policiais foram chamados para auxiliar na imobilização. Daniela relata que cinco policiais teriam participado da ação e afirma que o marido não estava armado. Nas imagens que circulam nas redes sociais, um dos militares também aparece discutindo com a mulher, que tentava acompanhar a abordagem e registrar a ação com o celular.
“Simplesmente, a gente não tinha entendido o que tinha acontecido. Aí foi a parte da resistência dele, quando ele falou assim: ‘Eu não vou ser preso, porque eu não sei nem o que está acontecendo’. Já chegou um segundo policial de forma totalmente agressiva: ‘Bora, porra! Bota a mão na cabeça, porra!’, não sei o quê, dizendo que ia algemá-lo. E ele simplesmente resistiu. Por quê? Eu acredito que qualquer cidadão, na sua situação de trabalho, seria abordado de forma totalmente abusiva e agressiva. Foi um despreparo de todos os policiais. Eles chegavam sem saber nem o que estava acontecendo. Chamaram o reforço, e os policiais, cada um que chegava, dava um chute. Foram cinco pessoas para conseguir imobilizar um homem que não estava armado”, continuou.

Daniela também acusa os policiais de terem utilizado como critério para a abordagem características físicas semelhantes às descritas pela pessoa que teria denunciado o suspeito. Segundo ela, o marido teria sido abordado de forma injusta por ser “uma pessoa morena e uma pessoa alta”. A proprietária afirma ainda o homem foi agredido na frente dos filhos e de clientes que estavam no estabelecimento no momento da ocorrência e que os policiais teriam impedido pessoas de se aproximarem durante a ação.
“A gente estava trabalhando, tirando nosso meio de vida daqui, e eles simplesmente bagunçaram. Chegaram de forma agressiva. O principal problema foi a agressividade deles, da parte dele, e a forma como eles estavam tentando fazer a condução, por uma coisa que ele não tinha nada a ver, só por questão de ser uma pessoa morena e uma pessoa alta [...] E simplesmente meu esposo resistiu porque, além de estar na frente dos nossos filhos, tinha clientes na loja. Então, a resistência dele foi por conta disso, porque eles estavam querendo levar ele preso de forma injusta, sem falar nem o real motivo.”
O que diz a Polícia Militar?
Em nota divulgada nesta segunda-feira (31), a Polícia Militar do Piauí informou que tomou conhecimento da abordagem por meio das imagens que circulam nas redes sociais. A ocorrência foi comunicada à Corregedoria da PMPI, que deverá instaurar um procedimento para apurar as circunstâncias do caso e a conduta dos policiais envolvidos.
A corporação afirmou que não compactua com atos que estejam em desacordo com a legislação e os protocolos institucionais. A PMPI também informou que, caso sejam comprovados desvios de conduta ou irregularidades, os envolvidos poderão ser responsabilizados, conforme suas competências e participações e de acordo com a legislação vigente. A instituição reafirmou ainda o compromisso com a legalidade e a transparência.
Fonte: Portal A10+