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(Atualizada às 08h10)
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa, na manhã desta quinta-feira (03), em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal.
O A10+ apurou que a prisão envolve compra de votos nas eleições de 2024. A parlamentar está no centro de uma polêmica após a prisão do então namorado membro de uma facção criminosa.
Policiais Federais cumprem oito mandados judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí. As ordens judiciais, cumpridas na capital piauiense e na cidade de Timon/MA, foram expedidas pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí.
"A investigação, iniciada após a divulgação dos resultados das Eleições 2024, identificou elementos que apontaram vínculo entre candidata eleita ao cargo de vereadora na capital piauiense e expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no estado. Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental", afirmou a PF.
Além das medidas judiciais citadas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores.
A vereadora eleita Tatiana Medeiros, antes de assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Teresina, esteve envolvida em um escândalo sobre suposto financiamento de campanha por facção criminosa durante as eleições de 2024.
Candidata pelo PSB, ela obteve quase 3 mil votos na capital piauiense. Durante a campanha, Tatiana levantou a importância do Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades.
Conforme o site do Tribunal Superior Eleitoral, o total líquido de recursos recebidos durante a campanha foi de R$ 38.881,00, sendo que o total de despesas contratadas chega a R$ 12 mil.
"A única coisa que vai me parar é se mandar me matar", afirmou vereadora
A vereadora Tatiana Medeiros afirmou em coletiva de imprensa, na terça-feira (01), que está sendo vítima de perseguição política após a decisão de afastamento do cargo de secretária geral da comissão executiva do PSB. A medida se dá mediante a citação do nome da parlamentar em uma investigação da Polícia Federal que apura o envolvimento de facções criminosas nas eleições municipais de Teresina.
Tatiana Medeiros afirmou que, apesar da decisão do presidente municipal do partido, Washington Bonfim, ela não pretende desistir e que só ‘falta mandarem matá-la’. A parlamentar está no centro de uma polêmica após a prisão do então namorado que pertence a uma facção criminosa.
“Perseguição política e ninguém vai me parar. A única coisa que vai me parar é se mandar me matarem, que é o que está faltando. Não está faltando nada. Ele falou vamos esperar as investigações e todo o devido processo e nem sequer um processo abriram contra mim. O partido simplesmente jogou na minha mesa unilateral, me desrespeitando em não só a mim, mas a mais de 3 mil vozes que foram para as urnas democraticamente. Esse mandado foi democrático”, dispara.
Operação Escudo Eleitoral da Polícia Federal
A organização não governamental, criada por ela, foi alvo de operação da PF, com o objetivo de investigar a atuação de facções criminosas no processo eleitoral das Eleições municipais de 2024 em Teresina. Outros três endereços também receberam agentes da PF para buscas durante a ação. Cerca de R$ 100 mil foram apreendidos nos endereços.
O cumprimento dos mandados de busca e apreensão ocorreu um mês após o companheiro de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, ser preso por envolvimento com a facção Bonde dos 40. A prisão ocorreu em um hotel de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde, segundo a vereadora, ele estaria lhe acompanhando em uma viagem de descanso, após campanha.
Alandilson Cardoso é investigado como participante das transações do mercado financeiro do grupo criminoso com a facção, que teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões. Os criminosos usavam a revenda e locação de veículos, além da venda de peças para lavar o recurso da facção. Ele também já tem passagens por tráfico de drogas, roubo qualificado e posse ilegal de arma de fogo.
Fonte: Portal A10+