Lula diz que não pode citar Bolsonaro, mas tentará a reeleição "para evitar que trogloditas voltem" - Política
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Lula diz que não pode citar Bolsonaro, mas tentará a reeleição "para evitar que trogloditas voltem"

Em entrevista, o presidente afirmou que, se necessário, irá se candidatar à reeleição em 2026, para impedir o retorno de “fascista” e “negacionista”


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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (18), em entrevista à rádio CBN, que foi orientado a não citar o nome do seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele afirmou que, se necessário, irá se candidatar à reeleição em 2026, para impedir o retorno de “fascista” e “negacionista” ao poder.

“Eu estarei com 80 anos em 2026, no auge da minha vida. Não quero discutir reeleição porque tenho apenas um ano e sete meses de mandato. Tem muita gente boa pra ser candidato, eu não preciso ser candidato”, declarou ao ser questionado sobre possibilidade da candidatura.

  
Presidente Lula Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
 
 
 

Mas, em seguida, ele admitiu concorrer à reeleição. “Presta atenção, se for necessário ser candidato para evitar que os trogloditas que governaram esse país voltem a governar, pode ficar certo que meu 80 anos virará em 40 e virarei candidato. Mas não é a primeira hipótese”, afirmou.

“Não vou permitir que esse país volte a ser governado por um fascista, não vou permitir que esse país volte a ser governado por um negacionista como nós já tivemos", completou Lula, sem citar nomes.

Lula dispara contra Campos Neto

À CBN, o petista não poupou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Lula chegou a questionar se o comandante da instituição financeira tem posição política e está interessado em assumir cargo no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

“Só temos uma coisa desajustada neste país, que é o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Presidente que tem lado político, que trabalha para prejudicar o país. Não tem explicação a taxa de juros estar como está”, afirmou Lula.

“Eu me reuni com presidentes de bancos do mundo todo e eles nunca estiveram tão otimistas no Brasil. Nos tornamos o 2º maior destino de investimentos no mundo. Nosso país não necessita dessa taxa de juros tão proibitiva de investimento no setor produtivo. É preciso baixar a taxa de juros compatível com a inflação”, completou.

Lula questionou se Campos Neto, cujo mandato termina neste ano, tem pretensões político-eleitorais. “A quem esse rapaz é submetido? Como vai a festa em São Paulo quase assumindo candidatura a cargo no governo de São Paulo? Cadê a economia dele?”, indagou.

Perguntado se Tarcísio tem influência no BC, Lula não titubeou: “[Tarcísio] Tem mais [poder de influência] que eu. Não é que ele [Campos Neto] encontrou com Tarcísio numa festa. A festa foi para ele, foi homenagem do governo de São Paulo para ele, certamente porque o governador de São Paulo está achando maravilhoso a taxa de juros de 10,5%.”

Campos Neto foi homenageado em jantar oferecido por Tarcísio de Freitas, na noite de segunda-feira (10), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.  Na ocasião, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o presidente do BC disse que aceitaria ser ministro da Fazenda em um eventual governo de Freitas.

O evento reuniu cerca de 60 pessoas, entre banqueiros, empresários e ex-ministros. Campos Neto foi nomeado para o BC por Jair Bolsonaro, de quem Tarcísio foi ministro e é colocado como herdeiro político visando a eleição presidencial de 2026.

Lula compara Campos Neto a Sergio Moro

Lula comparou Campos Neto ao ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR), que foi o responsável por condená-lo na Lava-Jato. Ele assumiu o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, que viu Lula ser retirado da corrida eleitoral de 2018 devido às ações de Moro. 

“Então, quando ele se [Campos Neto] auto lança para um cargo, eu fico imaginando, a gente vai repetir um Moro? O presidente do BC está disposto a fazer o mesmo papel que o Moro fez? Um paladino da Justiça, com rabo preso a compromissos políticos? Então o presidente do BC precisa ser uma figura séria, responsável e ele tem que ser imune aos nervosismos momentâneos do mercado”, questionou Lula.

Ainda na entrevista à CBN, sobre o sucessor de Campos Neto, Lula disse que indicará para a presidência do Banco Central uma pessoa que tenha “compromisso com o crescimento do país”.

“Então, veja, eu trato com muita seriedade, muita seriedade, vou escolher um presidente do BC que seja uma pessoa que tenha compromisso com o desenvolvimento desse país, controle da inflação, mas que também tenha na cabeça que a gente não tem que pensar só no controle da inflação. Nós temos que pensar em uma meta de crescimento, porque é o crescimento econômico, da massa salarial, que vai permitir a gente controlar a inflação”, ponderou Lula.

PT diz que BC é ‘bolsonarista’

Nesta terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisará uma proposta que transforma o Banco Central em uma empresa pública.

Na segunda-feira (17), o PT de Lula emitiu uma nota se posicionando contra propostas que preveem a desvinculação das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do salário mínimo, além de mudanças nas normas de gastos com Saúde e Educação.

Na mensagem, o partido argumenta que está sendo fabricada uma “inexistente crise fiscal” no país por "setores econômicos privilegiados, pela imprensa e por analistas de mercado”. A nota também reitera críticas à manutenção das taxas de juros no atual patamar pelo Banco Central, classificando-o como “bolsonarista”. 

O comunicado do PT foi divulgado após setores do mercado financeiro e empresariais aumentarem a pressão para que o governo realize cortes nos gastos.

Fonte: O Tempo


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