A alimentação de qualidade é um dos fatores que mais influenciam a saúde e a produtividade dos rebanhos. Uma pastagem bem manejada oferece alimento em quantidade e valor nutricional suficientes para garantir ganho de peso, bom desempenho reprodutivo e sustentabilidade do sistema produtivo. Esse tipo de pasto apresenta alta produção de massa verde, boa digestibilidade e níveis adequados de proteína e energia, além de contribuir para a conservação do solo.
Na Universidade Federal do Piauí (UFPI), pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias vêm investindo em estudos voltados ao melhoramento de gramíneas e da palma forrageira, plantas amplamente utilizadas na alimentação de herbívoros, especialmente ruminantes. Bovinos, ovinos e caprinos utilizam as gramíneas como base da dieta, já que elas fornecem fibras, energia e parte das proteínas necessárias para o bom funcionamento do rúmen e para o aproveitamento dos nutrientes.
As pesquisas com plantas forrageiras desenvolvidas pela instituição têm papel estratégico para o fortalecimento da pecuária no semiárido nordestino. Os estudos buscam identificar espécies mais resistentes ao clima seco, produtivas e nutritivas, capazes de garantir alimento ao rebanho mesmo em períodos prolongados de estiagem. Nesse contexto, a palma forrageira se destaca por ser rica em água e energia, ajudando a manter os animais hidratados e nutridos quando há escassez de pastagens.
Em uma área experimental com mais de mil metros quadrados, diferentes culturas são avaliadas com um objetivo comum: tornar a pecuária mais produtiva e sustentável. No local, professores e estudantes desenvolvem pesquisas voltadas ao manejo, adaptação das espécies e conservação de forragens.
Segundo o professor doutor em Zootecnia Ricardo Loiola, em entrevista ao Antena Rural os estudos buscam identificar espécies perenes e técnicas de manejo que reduzam a necessidade de replantio anual, diminuindo custos para o produtor. As forrageiras passam por avaliações constantes para medir adaptação ao clima, resistência à seca e potencial de rendimento no solo piauiense. O pesquisador destaca ainda a importância do manejo correto do pasto para aumentar sua durabilidade durante a estiagem e permitir a conservação de alimento para os períodos críticos.
Para facilitar a aplicação prática dos resultados, a equipe desenvolve sistemas integrados de cultivo que priorizam a sustentabilidade, reunindo espécies adaptadas ao clima do Piauí, de baixa exigência hídrica e com potencial para produção estratégica de silagem. A técnica garante reserva alimentar para o rebanho e reduz a dependência das condições climáticas. Embora milho e sorgo sejam tradicionalmente utilizados para silagem, a área experimental da UFPI também testa culturas menos conhecidas para essa finalidade. Segundo a professora doutora em Zootecnia Shirlene Ferreira, o objetivo é apresentar novas alternativas aos produtores, ampliando as opções de alimentação e reduzindo riscos em períodos de seca.
Outro avanço da equipe foi o desenvolvimento de um protetor solar agrícola, chamado EcoShield, que forma uma película fina sobre a planta. O produto ajuda a reduzir os efeitos do excesso de radiação solar, sem causar prejuízos aos animais que consomem a forragem, contribuindo para a manutenção da produtividade em condições climáticas adversas.
As pesquisas envolvem ainda estudantes de pós-graduação. O doutorando haitiano Bernardin Fonrose integra o grupo e desenvolve estudos sobre características agronômicas do capim Tanzânia, a espécie é bastante presente no Piauí e apresenta potencial para ampliar a oferta de forragem de qualidade na região, ele também avalia desempenho de ovinos em sistemas de cultivo contínuo.