Dois homens, identificados pelas iniciais L.E.P.C. e F.N.S. foram presos suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro de uma empresa de venda de motocicletas em Teresina. Em entrevista à TV Antena 10, o delegado Humberto Mácola, diretor do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), detalhou como funcionava a fraude, que teria direcionado pagamentos de clientes para contas bancárias ligadas aos investigados.
Segundo o delegado, um dos suspeitos trabalhava como representante de uma operadora financeira e tinha acesso às maquinetas utilizadas para pagamentos com cartão de crédito. Ele teria aproveitado essa função para vincular os equipamentos à própria conta bancária e à do padrasto, fazendo com que o dinheiro das vendas, em vez de ser transferido para a empresa, fosse depositado nas contas.
“Ele era representante dessa operadora financeira e ele tinha acesso às maquinetas de cartão de crédito. Então, a vítima solicitava a essa empresa e, no momento da entrega, quando ele entregava, ele vinculava a maquineta à conta dele. Então, quando a vítima passava o cartão, passava alguma venda, no caso da motocicleta, ao invés de cair na conta da vítima, caía na conta do golpista. Então, ele conseguia, através de informações privilegiadas, ele conseguia através de ações dentro dessa empresa, na qual ele não está mais, ele foi demitido dessa empresa, mas consta, em relação a ele, vários antecedentes criminais, desde estelionato, furto. Então, a DRCC conseguiu chegar até esse nacional, esse investigado e conseguiu prendê-lo”, disse o delegado.
De acordo com as investigações, os valores desviados eram direcionados para uma conta bancária em nome do padrasto do suspeitos. Na prisão do padrasto, o delegado afirmou que o familiar não tinha conhecimento do esquema e também teria sido utilizado pelo investigado para ocultar a origem do dinheiro.
“As investigações apontam que agora, após a prisão, nós tivemos o conhecimento, conseguimos ter esse convencimento de que o padrasto não estava sabendo de nada, foi utilizado por esse estelionatário também para sujar o nome dele, para lavar os valores, para que ele não fosse descoberto”, afirmou à TV Antena 10.
Mácola explicou ainda que, pelo menos, uma das vítimas sofreu um prejuízo de R$ 30 mil. A Polícia Civil não descarta a possibilidade de outras pessoas terem sido prejudicadas pelo esquema.
“Pelo menos em relação a essa vítima, a quantia chega até 30 mil reais, mas nós não descartamos outras vítimas que, porventura, podem aparecer, já estão aparecendo aqui algumas pessoas que viram as reportagens, viram que ele tinha sido preso, já estão comparecendo aqui para nos colocar outras situações que pese contra ele”, disse.
Operação
As prisões foram realizadas pela Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Diretoria de Inteligência. Os investigados foram localizados em Teresina, no Piauí, e em Timon, no Maranhão.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, expedidos pela Central de Inquéritos de Teresina. A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias vinculadas aos suspeitos, com o objetivo de preservar os valores relacionados ao caso e possibilitar eventual ressarcimento da empresa.
Os investigados foram identificados pelas iniciais L.E.P.C. e F.N.S. Conforme a Polícia Civil, eles também são alvos de outros procedimentos policiais por suspeita de envolvimento em estelionato e outras práticas criminosas.