A Polícia Civil do Piauí (PC-PI) indiciou Demétrius Moraes Gomes, envolvido no caso Aline Nayara, de 24 anos, encontrada morta e carbonizada em um povoado localizado na região do Rodoanel, na zona Sudeste de Teresina. A jovem desapareceu no dia 9 de julho de 2024. O corpo foi localizado no dia seguinte, completamente carbonizado, o que dificultou sua identificação inicial.
Demétrius foi preso em 22 de agosto do mesmo ano, na cidade de Marabá, no Pará. Durante entrevista à TV Antena 10, a delegada Nathalia Figueiredo detalhou como a investigação conseguiu identificar o veículo utilizado no crime e reunir elementos que apontaram para a participação direta do suspeito no assassinato.
"A Aline teria desaparecido no dia 9 de julho de 2024. Segundo as testemunhas, foram repassadas as informações desse veículo, então a gente, através de análise de câmeras, conseguiu identificar esse veículo, a movimentação dele, inclusive na região do Rodoanel. Ela foi encontrada no dia 10 de julho de 2024, com o corpo completamente carbonizado, tanto que inicialmente tivemos dificuldade na identificação. Foi necessária uma perícia para a gente ter certeza de que se tratava de Aline. E, de fato, de acordo com a investigação, a gente caminhou no sentido da participação direta do Demétrius, que foi indiciado. Esse carro se movimentou, inclusive, para a cidade de Marabá, onde ele tinha parentes, então tudo isso foi se encaixando no sentido do envolvimento dele", disse a delegada Nathalia Figueiredo.
As investigações também revelaram informações sobre a atuação da vítima no transporte de drogas para outros estados. Segundo a polícia, uma possível cobrança relacionada a esse contexto pode ter motivado o crime.
"Ela trabalhava na questão de transporte de drogas para outras cidades, para outros estados. Havia, inclusive, movimentação dela para o estado do Pará. Segundo as informações levantadas durante a investigação, ela estaria cobrando de forma insistente uma determinada quantia, que a gente acredita estar relacionada justamente com essa droga que ela transportava", falou a delegada.
A delegada também comentou sobre a situação processual de Demétrius, que permanece preso no Pará por outro crime, e explicou que sua transferência para o Piauí depende de decisão judicial.
"Ele também está preso por algum motivo lá no estado do Pará, na cidade de Marabá, por algum crime que ele cometeu lá. Então tem que ver a questão do recambiamento, mas realmente depende da decisão da Justiça daqui para ser recambiado", explicou.
Outro ponto destacado pela investigação foi a suposta ligação do suspeito com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a polícia, diversos elementos foram reunidos ao longo da apuração para apontar sua atuação dentro da organização criminosa.
"Ele faz parte do PCC.; ele atuava na posição de comando. Ele teria participação em um roubo de uma aeronave que foi amplamente divulgado. Então foram várias informações que a gente foi juntando para que chegássemos aos elementos que indicam a atuação direta dele em uma facção criminosa e, no caso específico, através das análises das câmeras, a vinculação dele com o automóvel utilizado para a morte da vítima", disse a delegada Nathalia.
Apesar de o caso ter sido investigado pela Delegacia de Feminicídios, a Polícia Civil concluiu que não houve motivação de gênero para o assassinato. Por isso, o suspeito foi indiciado por homicídio qualificado.
"Durante as investigações, a gente não visualizou o contexto de misoginia, ou seja, uma das circunstâncias que poderia levar ao feminicídio. Algumas dúvidas surgem justamente porque a Delegacia de Feminicídios foi a unidade responsável pela investigação, mas aqui em Teresina a Delegacia de Feminicídios tem uma dupla atribuição, tanto para feminicídio tentado ou consumado, como para qualquer morte violenta de mulher em Teresina. Então foi por isso que a nossa unidade foi designada. Entendemos pela ocorrência do homicídio com três qualificadores: motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa à vítima", pontuou.
Segundo a Polícia Civil, Aline Nayara foi morta utilizando uma técnica criminosa conhecida como "micro-ondas", método em que pneus são colocados ao redor da vítima e incendiados, provocando a carbonização do corpo.
O A10+ apurou ainda que a vítima mantinha um relacionamento com Jorge Luís de Sousa Silva, um dos envolvidos no roubo da aeronave do médico Jacinto Lay, ocorrido em 14 de janeiro de 2023, na zona Leste de Teresina.