Uma denúncia pesada caiu no colo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e acendeu o alerta em Monte Alegre do Piauí. Vereadores do município apontam um suposto esquema de fraude na compra de merenda escolar, com direito a preços fora da realidade, empresas suspeitas e possível desvio de dinheiro público.
Um dos casos mais chocantes envolve um item básico: o amido de milho. Segundo a denúncia, o produto foi comprado por R$ 423,15 a unidade de 500g — um valor considerado totalmente fora do mercado. No total, a compra chegaria a mais de R$ 589 mil só desse item.
Para os denunciantes, isso é um sinal claro de superfaturamento — e o mais grave: envolvendo comida que deveria ir para crianças da rede pública.
Outro ponto que levanta suspeita é a empresa vencedora de um dos contratos, a Universal Soluções Comercial. De acordo com os vereadores, o endereço da empresa não tem estrutura mínima para fornecer alimentos em grande quantidade. O local seria praticamente abandonado, sem estoque, sem logística e sem funcionários compatíveis com o serviço.
A denúncia vai além: aponta ligação entre essa empresa e outra, a TC Soluções, que já vinha recebendo dinheiro da prefeitura — inclusive mesmo após o fim do contrato. As duas teriam os mesmos contatos e endereço, o que pode indicar um esquema montado para continuar recebendo recursos públicos.
Só em 2025, a TC Soluções recebeu mais de R$ 918 mil sem contrato válido, segundo o documento. Somando anos anteriores, os valores passam de R$ 2,3 milhões.
Os vereadores também afirmam que a própria licitação já teria sido “direcionada”, com regras que dificultam a participação de outras empresas, reduzindo a concorrência.
Diante da gravidade, eles pediram ao TCE a suspensão imediata dos contratos, bloqueio de pagamentos e investigação completa do caso — inclusive com fiscalização nas escolas para saber se a merenda realmente está sendo entregue. O caso ganha ainda mais peso porque atinge diretamente a alimentação de alunos da rede pública — um tema que costuma ter tolerância zero dos órgãos de controle.
E em meio a tudo isso, o prefeito Dijalma Mascarenhas também enfrenta outro problema: ele teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos, decisão que ainda está sendo analisada em recurso.
Agora, com mais essa denúncia, a pressão só aumenta — e quem espera resposta é a população, principalmente os pais de alunos que dependem da merenda escolar todos os dias.