Gilberto Kassab como vice de Ronaldo Caiado para Presidente da República muda alguma coisa para Júlio César no Piauí?

O Presidente nacional do PSD confirmou que o partido será puro sangue para enfrentar PT e PL.

NADA. A confirmação do Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente na chapa puro sangue de Ronaldo Caiado provocou uma série de especulações nos estados. No Piauí, porém, a resposta é direta: não altera em nada a posição política do deputado federal Júlio César, nem a aliança construída com o governador Rafael Fonteles e o presidente Lula, ambos do Partido dos Trabalhadores. 

Isso porque o acordo político do PSD no Piauí foi fechado muito antes da definição da chapa presidencial do partido. Em julho do ano passado, Kassab esteve em Teresina, participou de reuniões com Rafael Fonteles, Júlio César, prefeitos e lideranças da legenda, em um encontro que consolidou a parceria com o PT para 2026. Na ocasião, o presidente nacional do partido participou inclusive do lançamento da pré-candidatura de Júlio César ao Senado. 

  
Gilberto Kassab como vice de Ronaldo Caiado para Presidente da República muda alguma coisa para Júlio César no Piauí? Divulgação
 
 
 

Meses depois, o entendimento avançou ainda mais. A composição governista passou a trabalhar abertamente com Rafael Fonteles candidato à reeleição e com Marcelo Castro e Júlio César disputando as duas vagas para o Senado na chapa apoiada pelo Palácio de Karnak. 

Quem acompanha a política nacional também sabe que o PSD dificilmente funciona sob a lógica da imposição. O partido de Kassab construiu sua força justamente permitindo que os diretórios estaduais façam alianças de acordo com suas realidades locais. Essa característica explica por que a legenda ocupa espaços tanto ao lado de governos de centro-direita quanto de centro-esquerda em diferentes estados. 

Nos maiores colégios eleitorais do país, o cenário é semelhante. Em São Paulo, por exemplo, o PSD segue integrado ao projeto político do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, ocupando posição estratégica na administração estadual. Kassab deixou claro que o Tarcísio vai apoiar Flávio Bolsonaro e, mesmo assim, seu partido marchará apoiando sua reeleição.

Na Bahia, o partido está fechado com o Partido dos Trabalhadores e com a reeleição de Lula e assim vai permanecer. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) vai apoiar a recondução do PT ao Palácio do Planalto e não Ronaldo Caiado, acordo selado há muito tempo e que será respeitado com total ajuda para que a sigla chegue ao Palácio Guanabara. Minas Gerais tem Zema (NOVO) na disputa a Presidente da República que tem o atual Governador, Mateus Simões como seu principal cabo eleitoral no estado, algo que barra a possibilidade do PSD acenar para Gilberto Kassab e seu cabeça de chapa. 

Assim, as alianças estaduais seguem trajetórias próprias e não estão sendo redesenhadas em função da candidatura presidencial de Caiado. O PSD mantém acordos locais construídos ao longo dos últimos anos e a tendência é que continue respeitando a autonomia de suas lideranças regionais. Esse comportamento, aliás, é uma das marcas da legenda desde sua fundação. Por isso, a leitura de que Kassab vice de Caiado colocaria Júlio César em situação desconfortável não encontra respaldo nos fatos políticos observados até aqui.

No Piauí, o que vale é o acordo já consolidado entre PSD, PT e MDB. Kassab participou pessoalmente dessa construção, Rafael Fonteles nunca escondeu a boa relação com a direção nacional do PSD, e Júlio César segue como um dos principais nomes da base governista para a disputa ao Senado, mantendo apoio a Lula Presidente.