Apontado desde 2015 como o “maior arrombador de carros de Teresina”, Silvestre Willamy Araújo da Silva voltou a ser preso nesta quarta-feira (25), na Avenida João XXIII, zona Leste da capital. A audácia chama atenção: o flagrante ocorreu nas proximidades de uma agência do Banco do Brasil, a pouco mais de 100 metros da sede da Secretaria de Segurança Pública. O trio foi filmado enquanto arrombava uma SW4. Como já era monitorado pela Gerência de Operações e Investigações Criminais (GOIC), Silvestre acabou detido em flagrante e conduzido justamente para o prédio que fica quase ao lado do local do crime.
“Esses indivíduos já estavam sendo monitorados devido à reincidência em arrombamentos. Conseguimos acompanhar a ação criminosa, realizar o flagrante e efetuar a prisão de forma rápida. O trabalho integrado das forças de segurança tem sido fundamental para coibir esse tipo de prática e garantir mais segurança à população”, disse o gerente de Operações e Investigações Criminais da SSP, Igor Alves.
Em 2015, quando foi preso pelo 12º Distrito Policial, Silvestre já acumulava 15 prisões pelo mesmo tipo de delito e respondia a diversos processos por arrombamento de veículos. À época, havia deixado o sistema prisional meses antes e retornado rapidamente à prática criminosa. Passaram-se dez anos. Não há número oficial atualizado de quantas vezes ele foi preso desde então, mas a reincidência recente indica que o histórico certamente aumentou. O padrão permanece o mesmo: atuação em áreas de grande circulação, foco em veículos de alto valor e repetição da conduta mesmo após sucessivas detenções.
O caso simboliza o que já era apontado em 2015: um ciclo que se retroalimenta. A polícia investiga, monitora, prende. O sistema processa, concede liberdade provisória ou aplica penas que não impedem o retorno imediato ao crime. O resultado é a reincidência quase automática. Quando um investigado com longo histórico decide agir praticamente ao lado da sede da Segurança Pública, não se trata apenas de ousadia. Trata-se de uma percepção concreta de risco reduzido. A prisão vira etapa previsível.
O problema, portanto, não é a falta de ação policial — que, neste caso, foi eficiente. A questão central está na incapacidade estrutural de interromper o ciclo da reincidência. O que já era um alerta em 2015 reaparece em 2026 como constatação: prender repetidas vezes não tem sido suficiente para impedir que o mesmo crime continue sendo cometido pelo mesmo autor.