Atualizada às 19h32
O namorado de Tatiana Medeiros, Alandilson Cardoso Passos, foi sentenciado a 17 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão, além de 7 anos, 2 meses e 23 dias de cadeia. A condenação, segundo decisão obtida pelo A10+, se deu pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, usura e lavagem de dinheiro, relacionados ao esquema apurado durante as eleições municipais de 2024. Foi negado o direito do faccionado recorrer em liberdade.
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No que diz respeito a Alandilson Passos, os diálogos resgatados indicam que Tatiana reconhece ter recebido dele aporte financeiro relevante em sua campanha, chegando a afirmar, em conversa de 27 de outubro de 2024, que venderia seu veículo para “acertar” a dívida com ele. Do lado de Alandilson, em mensagens a terceiro afirma que “estamos com um mandato lá”e que, com a eleição da vereadora, “vamos fazer muitos negócios agora […] lá na Câmara a vereadora pra lhe ajudar também”, revelando uso do "mandato de Tatiana para fins ilícitos, diante das circunstâncias e modus operandi do grupo e de seus membros, corroborado pelos demais indícios veementes nos autos", diz trecho da decisão.
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De forma paralela, a prova técnica indica que, mesmo após a deflagração da operação e já sob custódia, Tatiana continuou utilizando o celular para realizar transações financeiras e manter comunicações. Entre essas interações, há registros de videochamadas com Alandilson, realizadas a partir de unidades prisionais distintas, além de contatos com Maria Odélia, Bianca e outras pessoas, seguidos do apagamento intencional de conteúdos. Tal conduta posterior reforça a presença de um vínculo associativo contínuo e evidencia a intenção de manter a estrutura criminosa, em vez de se desvincular dela.
As investigações apontaram que os diálogos extraídos de seu celular e do aparelho da própria candidata mostram que Alandilson aportou valores expressivos na campanha, em patamar por ele estimado, em conversa com terceiro (Jorge Júnior), em cerca de “um milhão e meio de reais”, afirmando textualmente que, com a vitória, “estamos com um mandato lá” e que, a partir deste, faria “muitos negócios agora […] lá na Câmara a vereadora pra lhe ajudar”. Essa expressão, aliada ao reconhecimento posterior de MARIA ODÉLIA, em conversa com ele, de que Tatiana “só ganhou por causa da sua ajuda”, revela que o mandato era visto pelo próprio acusado e pelo núcleo familiar da candidata como um ativo político‑institucional a serviço do grupo, e não apenas como resultado de apoio eleitoral neutro.
Ainda segundo as investigações, Alandilson se apresentava como pilar financeiro da organização, responsável por aportar valores expressivos na campanha de Tatiana Medeiros, em montante por ele próprio estimado em cerca de R$ 1,5 milhão, e por alimentar ofluxo ilícito do grupo. Utilizava contas próprias, de terceiros e saques em espécie (muitas vezes operacionalizados por Stênio) para irrigar a estrutura, participando de esquemas de usura e apostando no mandato de Tatiana como instrumento para “fazer negócios” e obter vantagens econômicas. "Era, portanto, o principal financiador e articulador econômico, em conexão permanente com a liderança política. Ainda assim, não deixou de executar atividades de campo, tendo contato diretamente com eleitores para angariar votos, buscando diversos meios para a comprovação do voto", diz trecho da decisão obtida pelo A10+.
Entenda o caso
Alandilson foi um dos alvos da operação do Denarc contra uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro para o Bonde dos 40. Ele foi preso em novembro de 2024 em um hotel de Belo Horizonte. Mesmo na cadeia, ele manteve contato com Tatiana que, à época, estava presa no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar.
Conforme prints retirados do próprio celular, um iphone 16 Pro Max, Tatiana entrou em contato por vídeo com Alandilson nos dias 07, 09 e 13 de maio, datas em que os dois já se encontravam presos.
PORTAL A10+
A análise revelou ainda que Tatiana pesquisou o valor de passagens aéreas partindo de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, e com destino à capital Teresina, com data para 27 de maio desse ano. Ela não fez busca por passagem para retorno e o bilhete seria um passageiro adulto.
Na época, ele era investigado como participante das transações do mercado financeiro do grupo criminoso com a facção, que teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões. Os criminosos usavam a revenda e locação de veículos, além da venda de peças para lavar o recurso da facção. Alandilson estava com passagem comprada em um voo para São Paulo, no momento em que foi localizado.
Alandilson Passos foi transferido para o sistema prisional do Piauí. A namorada dele, Tatiana Medeiros, foi condenada a mais de 19 anos de cadeia.