*Por Marco Sena, estagiário sob supervisão de Marcelo Gomes
O Ministério da Saúde divulgou dados indicando que, nos últimos dez anos, 61% das internações no Brasil estiveram relacionadas às doenças inflamatórias intestinais. Para esclarecer dúvidas e reforçar a campanha Maio Roxo, voltada à conscientização sobre essas enfermidades, o Piauí no Ar desta quarta-feira (20) recebeu a gastroenterologista Joceli Santos.
A médica explicou que as doenças inflamatórias intestinais provocam inflamação crônica no intestino. Apesar de ainda não terem cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo ela, o grande desafio é o diagnóstico precoce, já que muitos brasileiros demoram até cinco anos para descobrir a doença, chegando aos serviços de saúde em estágio avançado.
A campanha Maio Roxo busca ampliar o conhecimento sobre a doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, condições que exigem acompanhamento médico contínuo. “Essas doenças inflamam o intestino de forma crônica. Ainda não há cura, mas há tratamento. O mais importante é identificar cedo. No Brasil, muitos pacientes levam anos para obter o diagnóstico, o que favorece a progressão da doença”, destacou a especialista.
Ao falar sobre os sinais de alerta, Joceli Santos citou sintomas recorrentes como excesso de gases, sensação de estufamento abdominal e episódios frequentes de diarreia, especialmente quando exigem o uso constante de medicamentos ou levam o paciente ao pronto-socorro. Ela também ressaltou sintomas mais graves, como perda de peso sem explicação, presença de sangue nas fezes, náuseas e vômitos.
Nas crianças, o diagnóstico pode ser ainda mais difícil. A médica explicou que casos de baixa estatura e baixo peso costumam ser associados apenas à genética familiar, atrasando a investigação adequada. “É a repetição dos sintomas que deve levar o paciente ao gastroenterologista para avaliar a possibilidade de uma doença inflamatória intestinal”, afirmou.
A especialista alertou ainda para o risco de diagnósticos superficiais. Segundo ela, muitos pacientes acabam identificados apenas com intolerância à lactose, já que o intestino inflamado pode alterar temporariamente o organismo e gerar resultados positivos nesses testes. “O paciente muda a alimentação, retira a lactose e percebe alguma melhora, mas ela costuma ser parcial”, explicou.
A automedicação também foi apontada como um fator preocupante, pois pode retardar o diagnóstico correto e contribuir para a evolução da doença, chegando até à necessidade de retirada de parte do intestino. Por isso, a orientação é procurar um especialista sempre que os sintomas persistirem. Em Teresina, os hospitais Universitário (HU) e Getúlio Vargas (HGV) oferecem exames de colonoscopia.
Entre as ações da campanha Maio Roxo, a Associação dos Portadores de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa do Norte-Nordeste do Brasil (Acronn), em parceria com a Sociedade de Gastroenterologia do Piauí (SGP), realizará no próximo sábado (23) um mutirão de colonoscopia no HU. O objetivo é acompanhar pacientes da fila de regulação e verificar a eficácia dos tratamentos, além da cicatrização de lesões intestinais, como úlceras.
Já no domingo (24), acontecerá a caminhada promovida pela Acronn, com concentração na Ponte Estaiada a partir das 15h30. No dia 29 de maio, data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Digestiva e o Dia do Gastroenterologista, será promovida uma ação no Teresina Shopping, a partir das 18h, oferecendo vacinação contra hepatite e tétano, aconselhamento médico e testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C.
O evento também abordará a diarreia crônica, sintoma comum não apenas na doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa, mas também na doença celíaca, relacionada à intolerância ao glúten.