Estudo prevê queda da população do Piauí a partir de 2037 e aumento de doenças crônicas até 2070

A pesquisa aponta que as mulheres deverão ser mais impactadas pela transição demográfica, já que acumulam responsabilidades com o cuidado de crianças

O Piauí deve enfrentar, nas próximas décadas, uma forte mudança em sua estrutura demográfica. Após atingir o pico populacional em 2036, o estado iniciará um processo de declínio, com a população cada vez mais envelhecida. A projeção faz parte do estudo “Projeções Populacionais do Piauí: Efeitos na Demanda por Serviços de Educação e Saúde”, elaborado pelo Centro de Inteligência em Economia e Estratégia Territorial (CIET), da Secretaria do Planejamento (Seplan), com base em dados do IBGE.

De acordo com o levantamento, até 2070 o Piauí terá uma pirâmide etária invertida, concentrada em pessoas entre 60 e 74 anos. Essa transição demográfica terá impacto direto nos setores de educação e saúde.


  

Estudo prevê queda da população do Piauí a partir de 2037 e aumento de doenças crônicas até 2070
Reprodução


Na educação, a queda nas taxas de natalidade deve reduzir em mais de 50% a demanda por creches, pré-escolas e ensino básico até 2070. Apesar disso, a valorização da primeira infância e a maior presença das mulheres no mercado de trabalho devem manter a procura por creches em níveis relevantes para o planejamento público.

Já na saúde, o envelhecimento populacional tende a provocar aumento expressivo de doenças crônicas: os casos de AVC devem crescer 84,63%, as doenças cardiovasculares 71,84% e os diagnósticos de diabetes 67,57%. A hipertensão seguirá como a condição mais comum, podendo atingir quase 900 mil piauienses. O estudo também revela diferenças entre homens e mulheres, com artrite, colesterol alto, depressão e diabetes mais frequentes entre elas. O que seria um reflexo, em parte, da maior procura feminina por serviços médicos.

Além disso, a pesquisa aponta que as mulheres deverão ser mais impactadas pela transição demográfica, já que acumulam responsabilidades com o cuidado de crianças e idosos, o que reforça a necessidade de políticas públicas de apoio à assistência social e à igualdade de gênero.