O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que seja realizada perícia no celular do professor José Emmanuel Ribeiro, 32 anos, morto em uma parada de ônibus de Sobradinho (DF) em 4 de janeiro deste ano. A decisão acata um pedido feito pela defesa de Guilherme Silva Teixeira, que confessou ter matado o professor. A vítima é filho do vice-prefeito de Isaías Coelho-PI.
A decisão, assinada pelo juiz Evandro Moreira da Silva, determina que o celular da vítima, que já foi apreendido, seja periciado com urgência. “Oficie-se ao Instituto de Criminalística, para que realize o exame pericial no aparelho celular da vítima, com urgência, por se tratar de processo envolvendo preso”, determinou.
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A defesa de Guilherme Silva Teixeira, por meio do advogado Luis Gustavo Delgado, afirmou que o pedido de perícia no celular do professor morto é uma ação “imprescindível à adequada elucidação do contexto fático”.
“A medida visa assegurar a integridade dos elementos de prova, a observância da cadeia de custódia e a mais ampla reconstrução possível dos acontecimentos, contribuindo para o esclarecimento completo dos fatos e para a formação do convencimento com base em elementos técnicos, verificáveis e submetidos ao contraditório”, acrescentou a defesa em nota.
Procurada, a Polícia Civil do DF esclareceu que o inquérito já foi concluído e encaminhado à Justiça e informou que não se manifesta a respeito de casos que já se encontram na esfera judicial.
Os advogados também ingressaram com um pedido de liberdade para Guilherme Silva Teixeira. O pedido ainda não foi julgado.
Delegado aponta homofobia em assassinato de filho de vice-prefeito de Isaías Coelho-PI no DF; "loucura da vida", admitiu acusado do crime à polícia
Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, suspeito de assassinar brutalmente o professor João Emmanuel Ribeiro, 32 anos, filho do vice-prefeito de Isaías Coelho-PI, foi atuado em flagrante homicídio por motivo fútil, associado à homofobia, e por motivo torpe, em razão da extrema violência empregada contra a vítima. Ricardo Viana, delegado-chefe da 35ª DP de Brasília, detalhou à RECORD Brasília que o suspeito confessou o crime em interrogatório e admitiu ter cometido o que chamou de “a loucura da vida”.
O delegado relatou que as equipes policiais chegaram ao suspeito através de câmeras de segurança da região. A partir dos vídeo, os policiais identificaram um homem parado em frente a um veículo, em seguida, ele atravessa a rua em direção à vítima, ele retorna, conversa com outra pessoa e deixa o local de carro. Durante o depoimento, Guilherme afirmou que aguardava o patrão para irem ao trabalho quando teve um primeiro contato com a vítima, do outro lado da rua. Inicialmente, ele relatou que pensou que a vítima estava querendo um 'baseado', que ele nega. A vítima teria tentado um novo contato que ele interpretou que ele queria um ato sexual, pelos gestos que a vítima teria feito, o que teria provocado a reação violenta.
"Ele fica parado na frente do veículo, atravessa a rua e, posteriormente, atravessa a rua no sentido que a vítima estava. Ele retorna, conversa com uma outra pessoa, pega um veículo e saiu do local [...] Ele relata que estava indo para o trabalho, ele mora próximo à região, o patrão dele é um dos vizinhos da vítima, ele para ali naquele momento no carro para esperar o patrão descer da residência e nesse momento a vítima chega. A vítima entra em contato com ele, do outro lado da rua, ele não entende o que a vítima estava falando, ele vai até o meio da rua, e lá ele não entendeu o que a vítima falou. Para ele, ele interpretou que a vítima estava querendo um baseado. Ele fala que não. Posteriormente, a vítima tenta um novo contato e ele interpreta esse contato, pela gesticulação que a vítima fez, que ele estava querendo um ato sexual", detalhou.
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Ainda conforme o delegado, o suspeito relatou que, tomado pela raiva, atravessou a rua e iniciou uma sessão de espancamento contra o professor João Emmanuel Ribeiro, com socos, chutes e pisões no rosto. A sandália utilizada por Guilherme foi apreendida e apresenta marcas compatíveis com as lesões encontradas na face da vítima.
"Nesse momento ele fica colérico, irado, atravessa a rua novamente, e começa a sessão de espancamento, com chutes, socos, pisões na face. Inclusive a sandália que foi apreendida ontem, que ele estava calçando, tem marcas dela no rosto da vítima. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio duplamente qualificado pelo motivo fútil, que aí entra a homofobia, e pelo motivo torpe, repugnante, dele ter matado a vítima com as próprias mãos, com chutes, socos e pisões", contou.
O patrão do suspeito também foi indiciado, mas por favorecimento pessoal, após ter dado fuga ao funcionário logo após o crime. Ele assinou um termo de compromisso para comparecer ao Juizado Especial Criminal e foi liberado, por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo. A polícia chegou a avaliar a possibilidade de autuação por omissão de socorro, por ter visto a vítima agonizando, mas descartou a hipótese após apurar que a esposa do patrão acionou o Corpo de Bombeiros enquanto eles deixavam o local.
A Justiça marcou para o dia 26 de março de 2026, às 14h, a audiência de instrução e julgamento, em caráter presencial, de Guilherme Silva Teixeira, acusado de matar o professor João Emmanuel, filho do vice-prefeito do município de Isaías Coelho, no Piauí.