Porta fechada, câmeras desligadas e morte no subsolo: como a polícia chegou ao síndico

Polícia Civil detalhou como as investigações levaram ao encontro do corpo de Daiane Souza, desaparecida há mais de um mês

O síndico preso por matar a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, vai responder por homicídio e ocultação de cadáver. As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa nesta terça-feira (28).

Segundo a Polícia Civil, 22 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação. A polícia afirma que o crime foi cometido dentro do prédio, em um intervalo de apenas oito minutos. Daiane foi morta no subsolo do condomínio, onde ficava o padrão de energia elétrica.

  
Histórico de atrito reforça teoria de que o crime teve motivação ligada aos conflitos entre Daiane e síndico
Reprodução/RECORD Minas
 
 
 

A Polícia Civil explicou como chegou até o suspeito. Um dos fatores determinantes foi a constatação de que, antes de sair do apartamento, Daiane deixou a porta aberta. No dia seguinte, quando seus familiares foram ao local procurar por ela, a porta estava fechada. Essa informação fez com que os investigadores determinassem que o suspeito era alguém com acesso ao condomínio.

Além disso, para cometer o crime, o assassino também teria conhecimento detalhado da rotina do prédio, incluindo o funcionamento do sistema de câmeras. O padrão de energia onde Daiane foi morta não possuía monitoramento, informação que, segundo os investigadores, era conhecida pelo síndico.

A vítima já havia relatado problemas recorrentes com o fornecimento de energia elétrica em seu apartamento. Em 16 de dezembro, dia do seu desaparecimento Daiane comunicou oficialmente que apenas o imóvel dela estava sem energia. Em vídeo enviado a familiares, ela aparece descendo pelo elevador para mostrar a situação no prédio.

Outro fator que levou a Polícia até Cléber Rosa de Oliveira é o fato de que testemunhas relataram que ele tinha o hábito de desligar a energia do condomínio. Segundo as testemunhas, anos atrás, quando uma eleição para síndico estava prevista para ocorrer por vídeo, Cleber insistia que fosse presencial e desligou a energia do prédio naquele dia.

Motivação

A Polícia Civil também confirmou que Daiane e o síndico tinham uma série de atritos anteriores. No dia 11 de dezembro, cinco dias antes do desaparecimento, o síndico perdeu uma ação judicial movida pela corretora. A decisão garantiu a Daiane acesso irrestrito às dependências do condomínio e indenização por danos morais.

Para os investigadores, esse histórico reforça a linha de que o crime teve motivação ligada aos conflitos entre os dois.

Confissão

Nesta terça (28), o síndico confessou o crime à Polícia Civil e indicou onde havia descartado o corpo da corretora. No entanto, ele não revelou a motivação do crime. A Polícia Civil destacou que a ausência de imagens que mostrassem a entrada e saída de veículos no condomínio dificultou a reconstituição exata do trajeto após o assassinato.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a versão apresentada pelo suspeito sobre seus deslocamentos no dia do crime. Ele afirmou ter ido a um local específico, mas a polícia comprovou que esteve em outro endereço, um lugar por onde, segundo os investigadores, ele nunca havia passado antes.

Indícios de obstrução da investigação

A investigação também apontou possível tentativa de obstrução da Justiça. O filho do síndico teria comprado um celular no mesmo dia em que a Polícia Civil realizou a perícia no carro do pai. Segundo os investigadores, houve substituição do telefone do suspeito, o que pode ter comprometido provas.

Maykon Douglas de Oliveira, filho do síndico, também foi preso nesta terça. A polícia apura se a participação do filho se limitou à troca do aparelho ou se houve envolvimento em outras ações para dificultar a investigação.

Um possível envolvimento do porteiro do prédio também será apurado.