A Juíza Keylla Ranyere Lopes Teixeira Procópio, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), determinou a soltura do vereador Valdemir Virgino (PRD) e o assessor parlamentar Renato Lucas Vieira da Silva, na manhã desta terça-feira (06). Eles foram presos pela Polícia Federal durante uma operação realizada no sábado (3), em uma clínica na zona Norte de Teresina, durante a apuração de uma possível prática de corrupção eleitoral.
Com a soltura, os dois ficam proibidos de manterem contato entre si, bem como com os demais 16 (dezesseis) conduzidos que foram colocados em liberdade mediante pagamento de fiança. Eles não podem se ausentar da comarca sem prévia autorização.
O A10+ apurou que os advogados alegaram não ter havido uma situação de flagrante individualizada e questionaram a entrada dos policiais nas dependências privadas da Clínica Integrar. Segundo a defesa, os agentes não teriam presenciado Valdemir ou Renato oferecendo, entregando ou recebendo dinheiro em troca de votos. Mais de 40 mil foram apreendidos na ação.
A defesa também contesta a legalidade do ingresso dos policiais no imóvel. Os advogados afirmam que não havia mandado judicial de busca e apreensão e questionam a validade da autorização dada por uma pessoa identificada nos autos apenas como “atendente”. O pedido sustenta que não haveria comprovação suficiente de que essa pessoa tivesse autorização para permitir o acesso às áreas internas da clínica.
Eles também afirmam que a existência de dinheiro em espécie, por si só, não comprovaria origem ou destinação criminosa e questionam a apreensão dos celulares. Segundo a defesa, não haveria fundamentação específica que demonstrasse, naquele momento, que os aparelhos estavam diretamente relacionados ao crime investigado.
Entenda o caso
O vereador de Teresina Valdemir Virgino (PRD) foi preso em flagrante pela Polícia Federal, no sábado (3), durante uma ação que apura suspeita de compra de votos em uma clínica localizada no bairro Marquês, na zona Norte da capital. O parlamentar foi autuado, em tese, pelos crimes de corrupção eleitoral e associação criminosa.
O A10+ apurou que a Polícia Federal recebeu uma denúncia de que o vereador estaria promovendo distribuição de dinheiro em espécie em uma clínica na capital. Durante a apuração, agentes fizeram vigilância no local e observaram um fluxo intenso de pessoas saindo do estabelecimento com sacolas plásticas escuras.
Ainda de acordo com a PF, dois homens que deixaram a clínica de motocicleta foram abordados. Com Raimundo Nonato, foram encontrados R$ 12 mil em espécie, além de material de propaganda eleitoral. Ele afirmou aos policiais que o dinheiro seria utilizado para pagar pessoas que teriam trabalhado em uma campanha.
Após a abordagem, os policiais entraram na clínica, com autorização de um atendente. No interior do imóvel, foram encontrados envelopes com anotações de nomes, números de telefone e valores em dinheiro, além de grande quantidade de material de propaganda eleitoral.
A PF afirma que Valdemir Virgino estava no local acompanhado de Renato Lucas e que os dois estariam coordenando as atividades realizadas em uma das salas. Conforme o depoimento de um agente, o vereador portava uma mochila com R$ 15,2 mil em espécie, incluindo valores separados em envelopes com nomes e anotações.
Também foram apreendidos R$ 16,5 mil que estavam em uma sala da clínica, separados em nove sacos de papel contendo nomes, valores e telefones, segundo o termo de apreensão da PF.
Material de campanha
Segundo os policiais, no local havia material de campanha de candidatos. A documentação da investigação relaciona a suspeita de compra de votos.
Questionado sobre a movimentação no local, Valdemir teria inicialmente não apresentado explicação. Posteriormente, segundo a PF, Renato Lucas afirmou que os valores seriam destinados ao pagamento de pessoas que haviam trabalhado em campanhas. O vereador, por sua vez, teria dito que estava no local apenas para almoçar com Renato.
A investigação também ouviu três mulheres que estavam na clínica. Elas disseram que estavam no estabelecimento para consultas, mas, segundo os policiais, não souberam informar qual atendimento procuravam e afirmaram que não haviam trabalhado nas campanhas.