(Atualizada às 13h05)
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa, na manhã desta quinta-feira (03), em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. Ela é advogada e levantou, durante sua campanha, a importância da Educação, Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades. Candidata pelo PSB, ela obteve 2.925 votos na capital piauiense.
Investigada pela Polícia Federal por vínculo com facção criminosa violenta com grande atuação no estado, há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos da instituição não governamental. A vereadora, segundo apurado pela colunista Lídia Brito, foi afastada do cargo na Câmara Municipal de Teresina pela Justiça Eleitoral por 60 dias.
TV Antena 10
Segundo o procurador da Câmara, Pedro Ricardo Couto, uma servidora do gabinete da vereadora Tatiana Medeiros também está sendo investigada. Trata-se de Emanuele de Melo, que, no entanto, já estava afastada da Câmara desde janeiro.
Ao comentar a possibilidade de cassação do mandato da vereadora, o procurador adotou uma postura cautelosa, ressaltando que é necessário aguardar uma decisão transitada em julgado. “É preciso seguir o devido processo legal, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Não podemos falar sobre cassação neste momento”, afirmou Couto.
Tatiana falou sobre ONG em entrevista à TV Antena 10
Em entrevista ao Programa Bom Demais, da TV Antena 10, em 10 de outubro do ano passado, ela afirmou que cresceu em periferia e detalhou como foi criado o projeto. "Através da Educação, minha vida foi transformada. Hoje eu sou advogada e realizei meu sonho de criança, mas acima disso eu tinha vontade de voltar a comunidade para levar oportunidades para as crianças. Começamos o projeto com 30 crianças, debaixo de uma árvore e foi crescendo, ganhamos o terreno da comunidade, e conseguimos construir uma sede no valor de R$ 1 milhão, mesmo sem mandato, com recurso próprio e com a comunidade nós conseguimos erguer aquele projeto", disse.
Divulgação
Hoje, na operação, além da prisão e das buscas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores. Tatiana chegou a dizer que tinha o objetivo de expandir o instituto para outras zonas da capital. "A minha bandeira principal é a educação. Tenho sonho de ampliar e levar o instituto para outras zonas de Teresina com o principal compromisso de expandir levando mais oportunidade para a comunidade em geral", disse ao Bom Demais.
A vereadora também pontuou os desafios da campanha política. Ela já havia se candidatado em eleição anterior, onde obteve 1.200 votos. "O instituto era minha maior motivação para seguir mais uma vez a campanha, mesmo vindo de família tradicional, não tenho pais políticos, nós conseguimos com a comunidade. Foi muito difícil. Voto para vereador é muito difícil, é conquistado um a um, corpo a corpo, é você estar presente. Eu vou dar continuidade porque eu já trabalho muito, as vezes, mais que um vereador de mandato, já temos um trabalho de alto impacto social. Meu compromisso é continuar, a voz como advogada é de uma forma, e a voz política é outra", disse ainda na entrevista.
Conforme o site do Tribunal Superior Eleitoral, o total líquido de recursos recebidos durante a campanha foi de R$ 38.881,00, sendo que o total de despesas contratadas chega a R$ 12 mil.
Tatiana era secretária geral da comissão executiva do PSB, mas foi afastada quando já estava sendo citada na investigação que apura o envolvimento de facções criminosas nas eleições municipais de Teresina. A vereadora chegou a afirmar que estava sofrendo perseguição política. E que, apesar da decisão do presidente municipal do partido, Washington Bonfim, ela não pretende desistir e que só ‘falta mandarem matá-la’.
“Perseguição política e ninguém vai me parar. A única coisa que vai me parar é se mandar me matarem, que é o que está faltando. Não está faltando nada. Ele falou vamos esperar as investigações e todo o devido processo e nem sequer um processo abriram contra mim. O partido simplesmente jogou na minha mesa unilateral, me desrespeitando em não só a mim, mas a mais de 3 mil vozes que foram para as urnas democraticamente. Esse mandado foi democrático”, disparou em entrevista nesta semana.
A organização não governamental, criada por ela, foi alvo da Operação Escudo Eleitoral da Polícia Federal, em 17 de dezembro do ano passado, com o objetivo de investigar a atuação de facções criminosas no processo eleitoral das Eleições municipais de 2024 em Teresina. Outros três endereços também receberam agentes da PF para buscas durante a ação. Cerca de R$ 100 mil foram apreendidos nos endereços.
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O cumprimento dos mandados de busca e apreensão ocorreu um mês após o companheiro de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, ser preso por envolvimento com a facção Bonde dos 40. A prisão aconteceu em um hotel de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde, segundo a vereadora, ele estaria lhe acompanhando em uma viagem de descanso, após campanha. A PF também cumpriu um mandado de prisão contra o faccionado em Minas.
Alandilson Cardoso é investigado como participante das transações do mercado financeiro do grupo criminoso com a facção, que teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões. Os criminosos usavam a revenda e locação de veículos, além da venda de peças para lavar o recurso da facção. Ele também já tem passagens por tráfico de drogas, roubo qualificado e posse ilegal de arma de fogo.
Investigações da Polícia Federal
Policiais Federais cumprem oito mandados judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí. As ordens judiciais, cumpridas na capital piauiense e na cidade de Timon/MA, foram expedidas pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí.
"A investigação, iniciada após a divulgação dos resultados das Eleições 2024, identificou elementos que apontaram vínculo entre candidata eleita ao cargo de vereadora na capital piauiense e expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no estado. Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental", afirmou a PF.