Atualizada às 16h50
Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, confessou à polícia o assassinato do professor João Emmanuel, de 32, filho do vice-prefeito de Isaías Coelho-PI. O crime, brutal, ocorreu no Distrito Federal. Em depoimento prestado à polícia, ao qual o A10+ teve acesso, o assassino revelou novos detalhes sobre o crime. Ele afirmou que, apesar de todos os socos e chutes desferidos, acreditava que a vítima não havia morrido. A vítima permaneceu agonizando até a morte, enquanto Guilherme, que aguardava o patrão em um ponto de ônibus, seguiu viagem.
Segundo Guilherme, ele aguardava a carona do patrão em uma parada de ônibus quando João Emmanuel iniciou um contato por meio de um gesto com a mão. A princípio, o gesto foi interpretado como uma pergunta sobre ter baseado. A vítima, então, respondeu mencionando o órgão genital do acusado. A Justiça manteve a prisão preventiva de Guilherme nesta quarta-feira (07) durante audiência de custódia.
Em depoimento prestado na delegacia do Distrito Federal, o acusado relatou como foi sua rotina antes, durante e após a interação com o professor piauiense. Ele contou que acordou por volta das 5h40 da manhã de domingo (04) e, ao chegar ao ponto de ônibus, João Emmanuel apareceu logo depois na mesma BR. Guilherme afirmou ainda que nunca havia visto o homem antes.
"Ele chegou na metade da via e gesticulou pra mim com a mão, em movimento de vai e vem, eu não tinha entendido. Eu pensei que era pedindo baseado, respondi que não tinha, aí foi quando atravessei a BR," relatou. Questionado pelo delegado, Guilherme contou que tinha entendido o gesto feito pela vítima como um ato de sexo oral.
Retomando o depoimento, ele afirmou que atravessou a rua e se aproximou do professor, cumprimentando-o com um “bom dia”. Em resposta à interação, o acusado relatou que ouviu a frase “E esse pau aí?”. Diante disso, ele desferiu o primeiro soco no queixo de João Guilherme. Com o impacto do golpe, a vítima caiu no chão e, em seguida, foi pisoteada pelo agressor.
"Era só pra dar uma surra mesmo, para não passar batido, não sei o que deu na minha cabeça, não era para ter acontecido isso," afirmou o acusado do crime. Indagado pelo delegado sobre ter sido somente um soco, Guilherme relatou que foi só um soco e que não tinha nada na mão que pudesse piorar a agressão.
Após o ocorrido, Guilherme relatou que retornou ao local onde estava e chamou pelo patrão, que foi até a vítima para verificar seu estado. Ao voltar, o patrão informou que João Emmanuel estava agonizando e que o virou de lado para evitar que se engasgasse com o próprio sangue. Em seguida, ele chamou a esposa e pediu que acionasse o SAMU para atender à emergência, porém, quando a equipe chegou ao local, o jovem piauiense já estava sem vida.
Mesmo diante da gravidade da situação, o acusado afirmou que seguiu sua rotina normalmente, indo para o trabalho e cumprindo suas atividades. Guilherme disse que não sabia que a vítima havia morrido. "Pra mim a ambulância tinha chegado e pensei comigo que ele ia ser socorrido e iria ficar bem, eu achei que não ia prejudicar a vide dele, do rapaz. Eu fiquei sabendo quando cheguei em casa do serviço à noite. Eu nem consegui dormir, eu tô mal até agora, não era para ter acontecido isso," relatou.
Questionado sobre a possibilidade de o crime ter sido motivado pela orientação sexual da vítima, como apontou a PC-DF, Guilherme declarou que esse não foi o principal motivo, mas sim a atitude inicial do professor piauiense, que, segundo ele, fez gestos interpretados como de cunho sexual. "Do nada veio na minha cabeça de ir do outro lado para ver o que era realmente, aí fui lá e ele falou isso pra mim, só dei um murro e umas pisadas na cabeça dele, eu não tenho nada contra com quem curte essas paradas aí (ser gay), eu não tenho nada contra não", disse.
O acusado reconheceu que se sentiu desrespeitado pela forma como João Emanuel teria se dirigido a ele, afirmando que não o conhecia e nunca o havia visto antes. Por fim, Guilherme pediu desculpas à própria família e à família da vítima. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal.